Entro pelas horas que a noite comporta
Como quem procura uma fotografia,
Um cacho de cabelos da infância ou
A voz que embalava o antes do sono
Como quem procura uma fotografia,
Um cacho de cabelos da infância ou
A voz que embalava o antes do sono
Porque o sono é ausência e se me
Deito sobre a superfície confortável
Do dia vencido o faço como um
Exercício de abandono.
Deito sobre a superfície confortável
Do dia vencido o faço como um
Exercício de abandono.
Não uso os pés pesados tampouco
A blindagem do automóvel. Invado
O negror com a alma ou com o
Que penso ser alma. Ou com a
Desapropriação do corpo.
A blindagem do automóvel. Invado
O negror com a alma ou com o
Que penso ser alma. Ou com a
Desapropriação do corpo.
E é essa forma feia a apalpar
O frio do vazio. São tantas vozes,
Diferentes em idioma. Como que
Vomitadas por uma única boca.
Não é minha. Finjo conhecer, mas
Quem sou eu pra entender de gente?
O frio do vazio. São tantas vozes,
Diferentes em idioma. Como que
Vomitadas por uma única boca.
Não é minha. Finjo conhecer, mas
Quem sou eu pra entender de gente?
Esses seres vivos e inúteis em sua
Maioria. Os quais não sabem das dores de
Cabeça que me tiram o sono e me empurram
A escrever os versos frágeis do papel
Prestes a ir ao fogo. Eles sabem de tudo
Porque não me conhecem. Eu e a noite
Somos absurdamente insignificantes.
Maioria. Os quais não sabem das dores de
Cabeça que me tiram o sono e me empurram
A escrever os versos frágeis do papel
Prestes a ir ao fogo. Eles sabem de tudo
Porque não me conhecem. Eu e a noite
Somos absurdamente insignificantes.
Tenho esse medo a cada esquina passada.
Não temo meu medo. O meu fica por dentro
E é intocável. Meu. Se for meu é ridículo
E ficará isolado. Essa falta de rima no meu sotaque erra a canção imaginada.
Não temo meu medo. O meu fica por dentro
E é intocável. Meu. Se for meu é ridículo
E ficará isolado. Essa falta de rima no meu sotaque erra a canção imaginada.
O dia se apresenta determinante.
Vai acabando com tudo o maldito!
Sinto as coceiras dos mendigos
E me sento na praça para admirar
Sua paciência de monge.
Vai acabando com tudo o maldito!
Sinto as coceiras dos mendigos
E me sento na praça para admirar
Sua paciência de monge.
Como se a paz estivesse na sujeira
E no fedor da pele dos meus amigos.
Entre eles não há corrupção.
E são inocentes sendo eu o culpado
Das desgraças porque sou humano
E os mendigos e os índios e os povos
Isolados de lugares que admiro por não
Conhecer. Nem vítimas nem culpados.
E no fedor da pele dos meus amigos.
Entre eles não há corrupção.
E são inocentes sendo eu o culpado
Das desgraças porque sou humano
E os mendigos e os índios e os povos
Isolados de lugares que admiro por não
Conhecer. Nem vítimas nem culpados.
Meto a mão esquerda no bolso do sujeito
Sujo que dorme. Retiro notícias belas,
Histórias inventadas que a gente se
Põe a acreditar. Porque o mundo
Cabe dentro da noite e o tempo
É indeterminado. Em cada parágrafo
Um pedaço de mim, de dentro, fica
Exposto. Cada nervo, e artéria ferida
Me sinto mais vivo. Percebo ao fim
De tarde, sob um por de sol imaginado,
Que tudo isso não ultrapassou de um
Lapso de imaginação.
Sujo que dorme. Retiro notícias belas,
Histórias inventadas que a gente se
Põe a acreditar. Porque o mundo
Cabe dentro da noite e o tempo
É indeterminado. Em cada parágrafo
Um pedaço de mim, de dentro, fica
Exposto. Cada nervo, e artéria ferida
Me sinto mais vivo. Percebo ao fim
De tarde, sob um por de sol imaginado,
Que tudo isso não ultrapassou de um
Lapso de imaginação.
E continuo a caminhar pensando
Na morte e na velhice e na maneira
Mais patética de apresentar meus versos.
E por serem meus são pobres e feios
Como o mendigo morador do batente
Da loja de eletrodomésticos.
Então o calor arde nos olhos até
O esquecimento me fazer sentir
Novamente vontade de sorrir.
Na morte e na velhice e na maneira
Mais patética de apresentar meus versos.
E por serem meus são pobres e feios
Como o mendigo morador do batente
Da loja de eletrodomésticos.
Então o calor arde nos olhos até
O esquecimento me fazer sentir
Novamente vontade de sorrir.
Nilson Marques Jr.