terça-feira, 11 de junho de 2013

Das confortáveis paredes do silêncio

Das confortáveis paredes do silêncio
o mundo que imagino se avoluma.
Tateio a brancura da ausência, existindo 
uma espessa camada de loucura.

Da natureza desnuda, minhas mãos 
alcançam a fadiga das retinas. 
Uma canção é assoprada pra dentro de minha boca
um hálito de suspense e frio, devora as palavras.

São desatinos e desafios,
rachaduras e fechaduras no riso lembrado
e um soco esperado, que manche de cor viva
o equilíbrio pesaroso dessa ordem.

Nilson Marques Jr.

Verso Inútil

Mais um verso inútil sobre minha alma. 
Que vagueia intocável entre corpos secretos,
flores feridas.

Mais um lamento engessado de saudade. 
Meu verso é minha mãe e é meu pai. 
Por onde confesso pequenas belezas possíveis: uma declaração de amor, 
uma lembrança de infância, uma espera saciada.

É por onde me salvo sem palavra alguma meu verso me denuncia. 
O vejo em concreto armado 
e nos artifícios da solidão.

Nilson Marques Jr.

Saudosismo Niilista

Sonhos,
Logo
Persisto.

Penso,
Portanto
Recrio.

Questiono
Pois
Equilibro.

Nilson Marques jr.

Sobre Imagens


O corpo feminino 
mesmo parado não 
se preserva em silêncio.

Há uma vontade além do próprio 
corpo que do corpo se precipita,
semelhante a pequenas luzes

no céu escurecido pelo tempo.
E que horas transijam na confluência
do desejo, por ser mulher.

Sem a pretensão do puritanismo
sem a manifestação da loucura
a mulher por si só já desnuda

todo o desejo que no desejo acumula.
Ser mulher é ser além do que se toca:
imaginação que exala a flor da aurora.

Nilson Marques Jr.