O sol da meia noite lança raios de teus olhos,
olhar ensolarado sob a neblina de uma vida desmedida.
Na sombra clara, da clara evidência de teus medos
uma rosa muda brota de tua voz.
Armada de espinhos na alva do dia pétalas murcham
cobrindo o rastro de onde viestes, moça dos olhos ensolarados
e me contas tantas histórias de dentro de ti, e pareces imune a esta
coisificação do Amor, para não amar e continuar descrente do
calor que cobre as formas e as bocas que te denunciam
Então dorme menina, dorme que teu sono leve sustenta a vida.
Nilson Marques Jr.
terça-feira, 24 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Poema de perdição
É o fim do verso, é o tempo desmedido
a covardia embrulhada e as malas do foragido.
A última história a ser contada, e outras tantas
esquecidas. A tatuagem apagada, e a noite mal dormida.
... Acúmulos de horas vãs, e a espera do tudo que há no mundo
o estampido no quarto de luxo e a puta satisfeita por ser puta.
A boca do delírio amordaçada pela ansiedade, e a criança adormecida
são os olhos claros de cegueira, e a escuridão dos sentidos à mostra.
O jornal velho na parede de recordação e a chuva ultrapassando
telhas. São assombros e assobios, são pés quebrados e sonhos espalhados.
São esses gestos descontrolados, e o soco a ferir lábios.
São as crianças na possibilidade de nudez e o idoso espancado,
sol repousando sobre janelas e o frio da comunicação.
É a tela inacabada e o estúpro concentido, a boca da moça
que brota um filete de riso e o afogado da enchente.
...
Essas coisas do dia a dia e o olhar sobre a natureza morta do que se vê
É o fim do verso, meu amigo. É o fim do verso. A bela música cantada
em língua morta, são os soldados deserdados e a peste bubónica no Vaticano.
Essa vontade de vomitar o que o outro comeu, esse cheiro bom de carne morta
no prato da miséria, são esses passarinhos pipilando em minúsculas gaiolas
É essa hora inútil, esses bêbados, esses marujos flamulando minhas rimas pobres
A lembrança da sala de aula, e o filho que foi partido ao meio. É o dia em da troca
da beleza de um poema por uma dose de cicuta sorvida enquanto Narciso
se masturba no banheiro do bar. É a mutilação da luz, e trevas e trevas
e trevas
a romper o sono. São as pequenas coisas a tilintar na pele.
Nas rugas do sentimento a poesia se esconde, malígna beleza!
É o indgente a ser dissecado, o mesmo nome feminino dado a coisas belas,
o Esquecimento, a Náusea e a Fome.
Nilson Marques Jr.
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