O poeta não deveria saber de onde vem a poesia.
Essas coisas são perigosas demais...
É um sabor de amargo bom de se ter no céu do tempo
E em cada tempo uma flor nova de espanto brota
mas na verdade deveria e haveria de se ter é silêncio e água.
Associo sempre as coisas simples a água que brota da carne da vida
E Jesus continua a estender a mão, oferecendo-a, eu tenho medo de beber
Essas coisas são perigosas demais...
Olha, os homens não deveriam achar beleza nos versos
Melhor que fossem comuns e tão e tantos que nem se chamassem a atenção
mas esse ofício é de quem sente, e expele e é parte do que foi exposto
o carnegão de coisas doídas e a rima é sangue escorrendo.
A poesia bem que poderia ser lida sem se saber que é poesia
como quem ouve o filho rir no fundo da casa correndo atrás da galinha
Existe um desespero na fuga do bicho e o menino apenas se ri e está descalço
Os pés de quem ama sempre estarão descalços
O peito de quem tem verso estará sempre disposto, sempre aberto
Isso não é certo, não deveria ser assim, mas se não fosse desta forma não existira o poeta.
Um dia quando as coisas forem tão possíveis quanto uma galinha
perseguida pelo menino eu poderei perder essa aflição a poesia.
O verso sem palavra alguma, todo agitado e colorido, sem revolta.
Certo dia (eu não poderia esquecer de versejar isso) a galinha
cansada de tanta fuga se danou a querer voar, eu acreditava que era voo
ela poderia estar fazendo qualquer coisa até tentando voar
Que seja! O dia era claro como o brilho dos olhos
de quem se sente saudade, e a poesia, abrindo asas, carregou
o meu menino eu fiquei olhando, olhando cansei eu de olhar e voltei a ser menino.
Nilson Marques Jr.
Moço.
ResponderExcluirNão tem como o poeta não saber de onde vem a poesia. Ela brota do próprio poeta. É parte viva do mesmo.
Se um dia o artista não mais compreender de q direção vem sua arte, nesse dia, terá fechado seus olhos para não mais abri-los.
Obrigada Nilson, por nos brindar com mais esse primor.