qualquer coisa e o mais complexo do dia
eram os nós dos cadarços.
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Tu eras a menina amostrada
de fitas rosas e azuladas
que se ria de minha ausente beleza.
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Já distante tais conflitos, eras tu
a amiga imaginária de meus banhos prolongados
e se apresentava em murchas noites no solo de meu recato.
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Chegada a fase dos bailes, eras tu
que rejeitava mil convites, e múltiplos
desejos se entrelaçavam ao meus nervos
.
Pois tu eras a moça jamais tocada
porém cantada nas músicas melancólicas
que só os alforriados dos olhos teus podem cantar.
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E quando o peso do sono perturbava era sobre ti
que eu confessava, menino pecador, cobiçando
o que não se pode saber.
.
E foi no exército que novamente te encontrei.
das revistas que circulavam tu eras todas
as moças desejáveis, e posavas nua
.
como num passeio em flores
e eu via nos teus olhos impressos
a costumeira rejeição para mim reservada.
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E tu eras todas as mulheres que amei,
e tu eras todas as mulheres que não amei,
e tu eras aquela mocinha do cinema: amada do mocinho
pensando no bandido.
Nilson Marques Jr.
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