O mundo está ficando longo demasiadamente.
Cheio de verdades negadas e angústias.
Posso conhecer tudo sem saber o cheiro
das coisas, se é que existe gente além das coisas.
Eu deveria ter medo. Contabilizo o pouco
do que me sobra de lembranças esmigalhadas; poderia
ao menos me dispor a estar, como se
houvesse fé nisto, mas não há.
Estou estranho como mandacaru em centro urbano.
E livre feito pássaro levado em gaiola.
Entender que o mundo chegou ao cúmulo das
não conquistas, mãos sem mãos conhecidas, risos caricaturáveis
Saber que estou sem estar presente
ou cidadão pária de terras tão impossivelmente
iguais a mim, é reconhecer a distancia de si mesmo.
Não aceito perder a rudeza de ser gente,
a parte de todas as janelas quais espreito
sobre todas as camas em que me deito
eu o poeta, o Nilson, a fera humana, nordestino
na saliva e nas retinas, me desencontro do mundo.
Absorvo a poeira dos casarões, o suor dos ônibus,
sargaços das praias, o piche do asfalto, o verde do ingazeiro,
o amarelado das fotografias, embrenhado no Quando para me comunicar
sendo a linguagem explícita em contato com gente: Gente!
Nilson Marques Jr.
* Poema inspirado pela frase escrita pelo amigo Darwin Nascimento: Você é meu espelho mais perfeito.
ResponderExcluirHahaha!
ResponderExcluirMacho, vc inspira a poeira e aspira poesia,
Gostei cabra da gota
Valeu!