sexta-feira, 23 de março de 2018

Ela



Lasca de lume e queimor
a desfalecer trôpegos embaraços
para se desmantelar em novos delírios.

Silhueta das brenhas boêmias,
panfletária do gozo acabrunhado,
timidez de palpável consciência física.

Convicta em sua meninice,
altiva beleza de fêmea,
olhos de estradar, caixa de Pandora.

Desses lábios profanos
saliva o desejo de eras.
Boca de terra, boca criação.

Ninfa compositora de Pã,
possuidora da estigma de Eco,
vinho das festas privadas de Baco.

Se espalha, pé-de-vento, arruaça.
Os pequenos gestos do teu corpo
levantam as naus de Ulisses, rota de paraíso.

Nilson Marques Jr.

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