Meus versos são acúmulos de silêncio.
O que observo é que é grande
E em cada espaço entre uma grandeza e outra
eu me aqueço, pasmo de tudo.
Meus versos não são extensões de mim.
Neles me camuflo e posso sentir certo conforto humano,
intervalo da pólvora e nascimento.
Meus versos, ora gente, ora sonho
São como tijolo quebrado do muro das lamentações.
Barro que se desmancha lentamente ao suor de quem os lê.
Meus versos, para serem belos, não me reconhecem.
Caminho disperso entre homens que são mais sonhos
Do que gente porque gente atulha o tempo, mas os sonhos resplandecem.
Não tenho posses, grifes não se apegam ao que me cobre o corpo.
Meu corpo é mínimo, não há formosura aos poetas
Porque eles, timidamente, preferem as palavras
E as palavras fornecem ciranda, armadura, colírio
Possibilidade de conhecimento do ponto cego
das curvas a que se desdobram os homens.
Meus versos são fios de açúcar na máquina de algodão doce.
Que as vezes coloridos lambuzam os dedos
Outras vezes claros não se explicam.
Atentamente me perco entre meus versos
E os versos do poeta libanês que me cumprimenta
no sebo empoeirado do centro da cidade.
Ponho em meus versos todos os homens possíveis.
Da minha incapacidade de comunicação fiz dos versos
Um testamento sincero, pois não estou neles.
Mas se neles estão os homens posso então me reconhecer,
Espelho d'água, areia sob fogo, retrato na estante de um parentesco
Partido dentre tantos a que meus versos sejam bem-vindos.
Nilson Marques Jr.
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