Como em tudo competimos
não nos damos conta que no Amor
não cabe competição.
Impeçam as possíveis guerras
santificadas, pois no Amor não há
mortos nem feridos.
Mesmo que haja dilacerações
gangrenas e a falência múltipla dos sentidos
no amor nada disso se faz ritmo.
no Amor a boca é para sugar
a palavra bem-dizer, a pele pra arrepiar
e os olhos para não ver.
Como a erva que vinga no asfalto
inalcançável aos apressados retirantes
o Amor permanecerá, sim permanecerá!
Desconhece-o os que por ele se comunicam, fazendo-lhe
de recurso para outro atributo. Escondido esperando ser
achado, desprovido da agonia aparente.
O Amor da cor a qualquer gente
faz da saliva cantiga de pássaro extinto,
antes mesmo que a morte existisse.
Nilson Marques Jr.
domingo, 19 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Serenidade
Nada muito complicado
simples assim mesmo como
tomar café fresco numa manhã fria.
Como não desmantelar os sentidos
ao golpe ferino da feminilidade plural?
E são gestos, risos, um punhado
de cores em sua força verdadeira.
Qual a forma do Belo e pra que te serve saber tal coisa?
Beleza é estado gracioso
que se mantem longe dos ponteiros,
rebentando tudo e não há quem o suporte.
Essa inquietação incompreendida
é teu jeito de se dispor dos percalços para correr
Está chovendo tanto e só a poesia
tem a coragem de te seguir.
Tua imagem chega ante o mar
(te imagino beira-mar, catando cristais de sal, serenamente.)
E tem chovido tanto nos meus versos ultimamente
sem mistério ou coisa semelhante
O mundo todo é noite é mar é chuva são teus olhos sorrindo.
Nilson Marques Jr.
simples assim mesmo como
tomar café fresco numa manhã fria.
Como não desmantelar os sentidos
ao golpe ferino da feminilidade plural?
E são gestos, risos, um punhado
de cores em sua força verdadeira.
Qual a forma do Belo e pra que te serve saber tal coisa?
Beleza é estado gracioso
que se mantem longe dos ponteiros,
rebentando tudo e não há quem o suporte.
Essa inquietação incompreendida
é teu jeito de se dispor dos percalços para correr
Está chovendo tanto e só a poesia
tem a coragem de te seguir.
Tua imagem chega ante o mar
(te imagino beira-mar, catando cristais de sal, serenamente.)
E tem chovido tanto nos meus versos ultimamente
sem mistério ou coisa semelhante
O mundo todo é noite é mar é chuva são teus olhos sorrindo.
Nilson Marques Jr.
sábado, 4 de junho de 2011
Poema de Braços Abertos
Esta perto a minha ida
se estiveres lá não dês
com a mão acenos.
Deixes que me vá, no meu silêncio,
fazendo parte disso tudo que há.
Só quando estiveres pequena, - sorria!
Teus dentes me trarão a certa
esperança de dois corpos duas almas: um desejo!
Porei instintivamente a cabeça
para dentro e fecharei os olhos
na mansidão de uma boa lembrança
e me enganarei por anos
pensando que tu não te esqueceras de mim.
Alguém desconhecido estará ao teu lado
não entendendo a nós, nem sabendo de quem
te despedes jamais nos apagará
e comentando a outros estaremos
perpétuos, estranhamente sem fim.
Nilson Marques Jr
Salvador, 28/03/09 a 06/04/2009
O avesso do avesso
Para que lhe serve a pressa em ser amado?
O que te cabe como bicho, feito homem em voz e pensamento é amar.
Ser amado é improvável quase descabido como imaginar o sol no poente,
acabrunhado, a aquecer corpos. Dentro do ser te é imputado a obstinação de amar.
Para se amar não precisa muita coisa, um verso de amor
a lembrança da moça nua a olhar pela janela, retinas claras que riscam o dia,
um desencontro, aquele amargo na garganta pela falta da palavra,
a ausência da voz que ainda se pode ouvir...
Retenha sobre os tempos ponteiros certeiros, apontando a caravana
que parte pronta a tomar lugares que ninguém conhece.
Aprenda a ouvir a própria voz, alcance os ouvidos dos surdos
reconheça sua inegável paralisia.
É só um punhado de esperança para se viver
para quem parte e para quem nunca irá, é só
um punhado de esperança banhada em lágrima
e acredite, após acordar, que o sonho é mais real que a parede que te solta.
Haviam estórias de avós se alinhando ao silêncio da noite
Lobisomens a espreitar meninos pagãos, Mãe do Mato retorcendo juízo de caçador
e olhos de ainda crentes acompanhando a voz estremecida da boca velha desenhar
gente tão verdadeiras que nunca terão fim.
Ela não tinha pressa, minha voinha preta se balançando em sua cadeira frente a casa
onde até os vaga-lumes pousam para aprender, fala de princesa no sertão,
desafia cangaceiro e a volante, a voz tremida e cuspida com dificuldade
untou-se a alma dos meninos e nunca mais se foi.
Eu direi em minha vivência: Meus avós souberam amar, mas estou mentindo.
Eles não sabiam o que era isso, nem meus pais e a credito que meus filhos
verão o pai, fora da poesia, e pensaram: Pobre homem que não soube amar
e nesse instante, assim como meus avós, semelhante aos meus pais, eu serei amado.
Mas ainda consigo ver, entre a secura cinza da caatinga
e o balido distante no pescoço do boi morto
uma flor vigorosa surgir sobre espinhos da Coroa de Frade,
e do Mandacaru o vermelho do fruto é boca da mulher que me amou. Silencio, estou completo.
Nilson Marques Jr.
O que te cabe como bicho, feito homem em voz e pensamento é amar.
Ser amado é improvável quase descabido como imaginar o sol no poente,
acabrunhado, a aquecer corpos. Dentro do ser te é imputado a obstinação de amar.
Para se amar não precisa muita coisa, um verso de amor
a lembrança da moça nua a olhar pela janela, retinas claras que riscam o dia,
um desencontro, aquele amargo na garganta pela falta da palavra,
a ausência da voz que ainda se pode ouvir...
Retenha sobre os tempos ponteiros certeiros, apontando a caravana
que parte pronta a tomar lugares que ninguém conhece.
Aprenda a ouvir a própria voz, alcance os ouvidos dos surdos
reconheça sua inegável paralisia.
É só um punhado de esperança para se viver
para quem parte e para quem nunca irá, é só
um punhado de esperança banhada em lágrima
e acredite, após acordar, que o sonho é mais real que a parede que te solta.
Haviam estórias de avós se alinhando ao silêncio da noite
Lobisomens a espreitar meninos pagãos, Mãe do Mato retorcendo juízo de caçador
e olhos de ainda crentes acompanhando a voz estremecida da boca velha desenhar
gente tão verdadeiras que nunca terão fim.
Ela não tinha pressa, minha voinha preta se balançando em sua cadeira frente a casa
onde até os vaga-lumes pousam para aprender, fala de princesa no sertão,
desafia cangaceiro e a volante, a voz tremida e cuspida com dificuldade
untou-se a alma dos meninos e nunca mais se foi.
Eu direi em minha vivência: Meus avós souberam amar, mas estou mentindo.
Eles não sabiam o que era isso, nem meus pais e a credito que meus filhos
verão o pai, fora da poesia, e pensaram: Pobre homem que não soube amar
e nesse instante, assim como meus avós, semelhante aos meus pais, eu serei amado.
Mas ainda consigo ver, entre a secura cinza da caatinga
e o balido distante no pescoço do boi morto
uma flor vigorosa surgir sobre espinhos da Coroa de Frade,
e do Mandacaru o vermelho do fruto é boca da mulher que me amou. Silencio, estou completo.
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 30 de maio de 2011
Planejamento
Tenho a ambição de ser lembrado por aquilo que me sangra
e calculo num ofício injusto
quantos anos terei de viver para isso;
E se de fato ser poeta é o caminho apropriado.
Acadêmico que sou, tomo as bancadas
ante a brilhante platéia que me odeia.
Estremeço a letra sobre a língua seca.
Devaneio que talvez em algum velório
estivesse mais a vontade.
Duas opções encontro:
Ou ser como a maioria me enxerga vil
ou ser como os que ainda não me conhecem
e me cumprimentam ao cruzarmos algum
Caminho.
Tenho a frustração de ser visitado humanamente
por aquilo que desconheço.
Se me aplaudem não sei o motivo
e me deixo inflar o peito gorduroso
sem buscar o sentido.
Lendo meus versos os leio como não sendo meus
e boas sensações me impregnam.
Não, não quero ser o orador, nem contado
em unidade de conjunto algum.
Ser lembrança já não me enlaça.
Serei o faxineiro que não paga entrada
e fazendo sua lavra digna e inócua
perfumou-se de toda arte, fechando o sentido sobre si
reconheceu em cada verso e mulher que o ama, seus filhos que o amam.
E eu sou toda lágrima que dele se verteu.
Nilson Marques Jr.
e calculo num ofício injusto
quantos anos terei de viver para isso;
E se de fato ser poeta é o caminho apropriado.
Acadêmico que sou, tomo as bancadas
ante a brilhante platéia que me odeia.
Estremeço a letra sobre a língua seca.
Devaneio que talvez em algum velório
estivesse mais a vontade.
Duas opções encontro:
Ou ser como a maioria me enxerga vil
ou ser como os que ainda não me conhecem
e me cumprimentam ao cruzarmos algum
Caminho.
Tenho a frustração de ser visitado humanamente
por aquilo que desconheço.
Se me aplaudem não sei o motivo
e me deixo inflar o peito gorduroso
sem buscar o sentido.
Lendo meus versos os leio como não sendo meus
e boas sensações me impregnam.
Não, não quero ser o orador, nem contado
em unidade de conjunto algum.
Ser lembrança já não me enlaça.
Serei o faxineiro que não paga entrada
e fazendo sua lavra digna e inócua
perfumou-se de toda arte, fechando o sentido sobre si
reconheceu em cada verso e mulher que o ama, seus filhos que o amam.
E eu sou toda lágrima que dele se verteu.
Nilson Marques Jr.
sábado, 28 de maio de 2011
O Pássaro
Tens um pássaro de asas abertas
mas está preso as tuas costas e não voa e não o vês.
Tens animais belos e valentes em ti
mas estão sempre bêbados ou presos a tua imaginação.
És poetiza e não precisas de folhas pautadas
e entendes a estratégia do medo.
Suportas a franqueza alheia,
e tem dias que acorda brigada
consigo mesma por continuar a acreditar
[pensando ser fraqueza.
Enquanto todos dormem
disputas entre o medo e o riso
Entre a força e o medo
Entre o medo e o ter
Uma vez comprou o mar
mas esqueceu os navios
E os sonhos que descambam teu mar adentro
te delatam, te encontram, te espalham
Já não te podes juntar, - És grande!
Nilson Marques Junior.
mas está preso as tuas costas e não voa e não o vês.
Tens animais belos e valentes em ti
mas estão sempre bêbados ou presos a tua imaginação.
És poetiza e não precisas de folhas pautadas
e entendes a estratégia do medo.
Suportas a franqueza alheia,
e tem dias que acorda brigada
consigo mesma por continuar a acreditar
[pensando ser fraqueza.
Enquanto todos dormem
disputas entre o medo e o riso
Entre a força e o medo
Entre o medo e o ter
Uma vez comprou o mar
mas esqueceu os navios
E os sonhos que descambam teu mar adentro
te delatam, te encontram, te espalham
Já não te podes juntar, - És grande!
Nilson Marques Junior.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Contemplação/Consumação
Em minhas mãos
guardo todos
os desejos inacabados
dos homens.
Censuraram os movimentos
de que preciso
e sinto
por trás das paredes
um ventinho calmo e seco
sair de outras narinas...
Sei da situação em que me encontro
- Longo tempo morno, de sargaços
e fósseis imersos.
O sol não chega ao hemisfério dos efêmeros
e (alucinado)
visto minha melhor farsa
Me misturo aos outros
numa comunhão de desgosto
e angústia.
Procuro-te poesia vitalícia
em ventres inférteis,
no coletivo sopro das horas.
Procuro-te (amarga) poesia
como o afogado procura o ar
e sou dentre as coisas mais estúpidas a mais reluzente.
Eis que tomo a forma de um porão
já não caminho nas ruas
(agora lúcido)
entretanto preciso de tudo
abro as mãos e o que tenho me escapa
inicio uma revolta:
A poesia longe dos poetas
mantêm-se intacta!
Nilson Marques Jr.
guardo todos
os desejos inacabados
dos homens.
Censuraram os movimentos
de que preciso
e sinto
por trás das paredes
um ventinho calmo e seco
sair de outras narinas...
Sei da situação em que me encontro
- Longo tempo morno, de sargaços
e fósseis imersos.
O sol não chega ao hemisfério dos efêmeros
e (alucinado)
visto minha melhor farsa
Me misturo aos outros
numa comunhão de desgosto
e angústia.
Procuro-te poesia vitalícia
em ventres inférteis,
no coletivo sopro das horas.
Procuro-te (amarga) poesia
como o afogado procura o ar
e sou dentre as coisas mais estúpidas a mais reluzente.
Eis que tomo a forma de um porão
já não caminho nas ruas
(agora lúcido)
entretanto preciso de tudo
abro as mãos e o que tenho me escapa
inicio uma revolta:
A poesia longe dos poetas
mantêm-se intacta!
Nilson Marques Jr.
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