Tenho a ambição de ser lembrado por aquilo que me sangra
e calculo num ofício injusto
quantos anos terei de viver para isso;
E se de fato ser poeta é o caminho apropriado.
Acadêmico que sou, tomo as bancadas
ante a brilhante platéia que me odeia.
Estremeço a letra sobre a língua seca.
Devaneio que talvez em algum velório
estivesse mais a vontade.
Duas opções encontro:
Ou ser como a maioria me enxerga vil
ou ser como os que ainda não me conhecem
e me cumprimentam ao cruzarmos algum
Caminho.
Tenho a frustração de ser visitado humanamente
por aquilo que desconheço.
Se me aplaudem não sei o motivo
e me deixo inflar o peito gorduroso
sem buscar o sentido.
Lendo meus versos os leio como não sendo meus
e boas sensações me impregnam.
Não, não quero ser o orador, nem contado
em unidade de conjunto algum.
Ser lembrança já não me enlaça.
Serei o faxineiro que não paga entrada
e fazendo sua lavra digna e inócua
perfumou-se de toda arte, fechando o sentido sobre si
reconheceu em cada verso e mulher que o ama, seus filhos que o amam.
E eu sou toda lágrima que dele se verteu.
Nilson Marques Jr.
Ela está presa em ti...mesmo que a abandones por um tempo, ela não te abandona...dormirá esperando tu acordares e cada vez que teus olhos se abrirem para a luz do teu interior, a poesia vai gritar ou cantar e usará tua voz, tuas mãos, teus sorrisos e tuas lágrimas para se fazer ser.
ResponderExcluirA tua poesia não é tua, é de todos que a admiram.