Aquele que sonha tem em si mesmo
a solidão e a dor da ação.
E na saída enquanto se trabalha
Essa força que é sua
o Sonhador passa o dia inteiro
na cruenta realidade
De não poder sonhar.
Sonhe meu amigo
Só a dor de ser
Não basta, ao som
desmembrado
do caule que se desfolha
e fica feia a árvore pra noutro
dia florir sendo a mesma árvore, portanto
trabalhe, moço!
Deixe o sol descer raiando
e clareando o riso não entendido
e vá se rindo que a boca é cais
é porto inseguro, estando torto
as naus imagináveis de tantos lugares
que só o teu riso alcança.
Caminhe para onde se pode amar
inventando outra solidão
fugidia das cores vermelhas
e alvas e claras retiradas de olhos
sorridentes, caminhos atrevidos
onde tens o norte do saveiro
singrando teu mar, sangrando mais
vivendo só em tantos ao som
do sonho, sonhar-te e ter-te e partir!
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Poética IV
Existe mais poeta que poesia.
Quem a expõe não é só o escritor
daquilo que se sente e foi escrito.
A poesia está dentro como se escondesse
cavernas na própria caverna que a prende.
Sintam cada verso como quem senta-se
para ouvir a voz velha da infância,
despejem cântaros de sensações
sobre o delírio daquilo que salta
peito a dentro sem vontade de voltar,
e o cheiro de carambolas que não passa
o leito do gozo desarrumado,
a pressa dos que não tem horas
atadas ao mesmo desejo
descompassado em si mesmo.
Cada verso é um poema dentro do poema.
É semelhante ao amor que ora se esquece
e torna-se a amar, para amar de novo.
A poesia está na boca que mastiga
palavras duras e sopra a saudade de um dia.
um dia todo de sol e todo de chuva para quem o busca.
Que arda a pele da razão untada a sensibilidade
tranquila nos pelos arrepiados da mulher amada
porque poesia é a autobiografia de quem a sente.
Nilson Marques Jr.
Quem a expõe não é só o escritor
daquilo que se sente e foi escrito.
A poesia está dentro como se escondesse
cavernas na própria caverna que a prende.
Sintam cada verso como quem senta-se
para ouvir a voz velha da infância,
despejem cântaros de sensações
sobre o delírio daquilo que salta
peito a dentro sem vontade de voltar,
e o cheiro de carambolas que não passa
o leito do gozo desarrumado,
a pressa dos que não tem horas
atadas ao mesmo desejo
descompassado em si mesmo.
Cada verso é um poema dentro do poema.
É semelhante ao amor que ora se esquece
e torna-se a amar, para amar de novo.
A poesia está na boca que mastiga
palavras duras e sopra a saudade de um dia.
um dia todo de sol e todo de chuva para quem o busca.
Que arda a pele da razão untada a sensibilidade
tranquila nos pelos arrepiados da mulher amada
porque poesia é a autobiografia de quem a sente.
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Busca na fuga
O poeta não deveria saber de onde vem a poesia.
Essas coisas são perigosas demais...
É um sabor de amargo bom de se ter no céu do tempo
E em cada tempo uma flor nova de espanto brota
mas na verdade deveria e haveria de se ter é silêncio e água.
Associo sempre as coisas simples a água que brota da carne da vida
E Jesus continua a estender a mão, oferecendo-a, eu tenho medo de beber
Essas coisas são perigosas demais...
Olha, os homens não deveriam achar beleza nos versos
Melhor que fossem comuns e tão e tantos que nem se chamassem a atenção
mas esse ofício é de quem sente, e expele e é parte do que foi exposto
o carnegão de coisas doídas e a rima é sangue escorrendo.
A poesia bem que poderia ser lida sem se saber que é poesia
como quem ouve o filho rir no fundo da casa correndo atrás da galinha
Existe um desespero na fuga do bicho e o menino apenas se ri e está descalço
Os pés de quem ama sempre estarão descalços
O peito de quem tem verso estará sempre disposto, sempre aberto
Isso não é certo, não deveria ser assim, mas se não fosse desta forma não existira o poeta.
Um dia quando as coisas forem tão possíveis quanto uma galinha
perseguida pelo menino eu poderei perder essa aflição a poesia.
O verso sem palavra alguma, todo agitado e colorido, sem revolta.
Certo dia (eu não poderia esquecer de versejar isso) a galinha
cansada de tanta fuga se danou a querer voar, eu acreditava que era voo
ela poderia estar fazendo qualquer coisa até tentando voar
Que seja! O dia era claro como o brilho dos olhos
de quem se sente saudade, e a poesia, abrindo asas, carregou
o meu menino eu fiquei olhando, olhando cansei eu de olhar e voltei a ser menino.
Nilson Marques Jr.
Essas coisas são perigosas demais...
É um sabor de amargo bom de se ter no céu do tempo
E em cada tempo uma flor nova de espanto brota
mas na verdade deveria e haveria de se ter é silêncio e água.
Associo sempre as coisas simples a água que brota da carne da vida
E Jesus continua a estender a mão, oferecendo-a, eu tenho medo de beber
Essas coisas são perigosas demais...
Olha, os homens não deveriam achar beleza nos versos
Melhor que fossem comuns e tão e tantos que nem se chamassem a atenção
mas esse ofício é de quem sente, e expele e é parte do que foi exposto
o carnegão de coisas doídas e a rima é sangue escorrendo.
A poesia bem que poderia ser lida sem se saber que é poesia
como quem ouve o filho rir no fundo da casa correndo atrás da galinha
Existe um desespero na fuga do bicho e o menino apenas se ri e está descalço
Os pés de quem ama sempre estarão descalços
O peito de quem tem verso estará sempre disposto, sempre aberto
Isso não é certo, não deveria ser assim, mas se não fosse desta forma não existira o poeta.
Um dia quando as coisas forem tão possíveis quanto uma galinha
perseguida pelo menino eu poderei perder essa aflição a poesia.
O verso sem palavra alguma, todo agitado e colorido, sem revolta.
Certo dia (eu não poderia esquecer de versejar isso) a galinha
cansada de tanta fuga se danou a querer voar, eu acreditava que era voo
ela poderia estar fazendo qualquer coisa até tentando voar
Que seja! O dia era claro como o brilho dos olhos
de quem se sente saudade, e a poesia, abrindo asas, carregou
o meu menino eu fiquei olhando, olhando cansei eu de olhar e voltei a ser menino.
Nilson Marques Jr.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
*Dor
Nascemos em dor alheia para, pela dor, sermos.
Outros morrem pela dor da perda, do que foi arrancado.
Dolorosamente a vida é um cintilar de possibilidades
a dor é uma delas.
Existe a hora de doer por amor,
e também de doer pela falta de amor.
Temos o momento da dor necessária, parto
difícil de conquistas, relembradas a dor
se torna totem da força demonstrada
porque quando se foge da dor mais dor é causada.
Nilson Marques Jr.
Outros morrem pela dor da perda, do que foi arrancado.
Dolorosamente a vida é um cintilar de possibilidades
a dor é uma delas.
Existe a hora de doer por amor,
e também de doer pela falta de amor.
Temos o momento da dor necessária, parto
difícil de conquistas, relembradas a dor
se torna totem da força demonstrada
porque quando se foge da dor mais dor é causada.
Nilson Marques Jr.
Declaração de Amor
Declarar o amor é recriar-se.
Exige maturidade em ser piegas.
É preciso inverter-se para conhecer as ações do amor.
Não se ama para ser amado.
ninguém é amado para amar.
Este comércio foi abolido no coração.
Para o amor tudo é troca,
é descobrir a beleza dos olhos
de quem se ama preso aos teus, fechados.
É estar quase sempre despreparado,
sem forças e sem a devida capacidade
que tanto aclamam os que são sábios.
Eu, dentro da minha matéria, prefiro amar
amo em silêncio e compondo sons do silêncio.
Amo verbalmente, usando o corpo feito grito.
Misturados, ao toque sobre si, sente-se
a mulher que ainda estremece na lembrança.
uma dança sem a necessidade de música onde tudo balança.
Nilson Marques Jr.
Exige maturidade em ser piegas.
É preciso inverter-se para conhecer as ações do amor.
Não se ama para ser amado.
ninguém é amado para amar.
Este comércio foi abolido no coração.
Para o amor tudo é troca,
é descobrir a beleza dos olhos
de quem se ama preso aos teus, fechados.
É estar quase sempre despreparado,
sem forças e sem a devida capacidade
que tanto aclamam os que são sábios.
Eu, dentro da minha matéria, prefiro amar
amo em silêncio e compondo sons do silêncio.
Amo verbalmente, usando o corpo feito grito.
Misturados, ao toque sobre si, sente-se
a mulher que ainda estremece na lembrança.
uma dança sem a necessidade de música onde tudo balança.
Nilson Marques Jr.
sábado, 2 de julho de 2011
*Estreme
E o peito acelera-se no batuque
Toda uma vida inalada, entorpecendo
o corpo, que já não via mais nada.
Escuridão.
Minha fresca e assombrosa escuridão.
Meus ventos mortos, meus cárceres,
meus prisioneiros, minhas trevas.
Enrolo-me em ânsias sedosas,
aqueço-me e voo buscando o ápice deste poço
que é minha alma.
Tão duvidosa, arcaica e mínima
é minha alma.
De seus sussurros nascem flores
De seu tempo germinam sensações.
E o peito em transe acalma-se,
e por fim explode renovando as coisas postas
então candeço-nebuloso,
no mar calmo e intenso do existir.
Nilson Marques Jr.
Toda uma vida inalada, entorpecendo
o corpo, que já não via mais nada.
Escuridão.
Minha fresca e assombrosa escuridão.
Meus ventos mortos, meus cárceres,
meus prisioneiros, minhas trevas.
Enrolo-me em ânsias sedosas,
aqueço-me e voo buscando o ápice deste poço
que é minha alma.
Tão duvidosa, arcaica e mínima
é minha alma.
De seus sussurros nascem flores
De seu tempo germinam sensações.
E o peito em transe acalma-se,
e por fim explode renovando as coisas postas
então candeço-nebuloso,
no mar calmo e intenso do existir.
Nilson Marques Jr.
domingo, 19 de junho de 2011
Poema do Amor Humano
Como em tudo competimos
não nos damos conta que no Amor
não cabe competição.
Impeçam as possíveis guerras
santificadas, pois no Amor não há
mortos nem feridos.
Mesmo que haja dilacerações
gangrenas e a falência múltipla dos sentidos
no amor nada disso se faz ritmo.
no Amor a boca é para sugar
a palavra bem-dizer, a pele pra arrepiar
e os olhos para não ver.
Como a erva que vinga no asfalto
inalcançável aos apressados retirantes
o Amor permanecerá, sim permanecerá!
Desconhece-o os que por ele se comunicam, fazendo-lhe
de recurso para outro atributo. Escondido esperando ser
achado, desprovido da agonia aparente.
O Amor da cor a qualquer gente
faz da saliva cantiga de pássaro extinto,
antes mesmo que a morte existisse.
Nilson Marques Jr.
não nos damos conta que no Amor
não cabe competição.
Impeçam as possíveis guerras
santificadas, pois no Amor não há
mortos nem feridos.
Mesmo que haja dilacerações
gangrenas e a falência múltipla dos sentidos
no amor nada disso se faz ritmo.
no Amor a boca é para sugar
a palavra bem-dizer, a pele pra arrepiar
e os olhos para não ver.
Como a erva que vinga no asfalto
inalcançável aos apressados retirantes
o Amor permanecerá, sim permanecerá!
Desconhece-o os que por ele se comunicam, fazendo-lhe
de recurso para outro atributo. Escondido esperando ser
achado, desprovido da agonia aparente.
O Amor da cor a qualquer gente
faz da saliva cantiga de pássaro extinto,
antes mesmo que a morte existisse.
Nilson Marques Jr.
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