sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Poema em folha branco & preto

A minha inspiração é secreta de tão aberta que é
Não preciso de muito brilho para compreender as cores
Nem de tantas pernas para saber o caminho

Parto do princípio das vozes dos cheiros e dos anos
Se ouço ou leio um nome não preciso de canção de amor
pois em dias de chuva há sempre um sol disposto a aquecer as carnes

Vejo os homens indo e vindo, toda humanidade peregrina em mim
Sinto, por pouco, insuportável vontade de me explicar
Falar de mim como homem, bicho alucinado ante a falida razão tátil

Escrevo o nome dela como se ainda fosse imaturo
mas as minhas rugas me permitem essa liberdade
Desenho o nome dela, rascunho letra por letra com pena de passarinho

que pousou, cantou e sumiu sem que mais ninguém ouvisse
Desaprendo cada dia um pouco mais de mim
Vou me entendendo em desejos, conquistas e sabores

Começou um barulho bom lá na rua.
No meu coração muitas ruas se encontram e se perdem sem saída
Faltou luz nas casas e as crianças nem percebem que compoem uma sinfonia.



Nilson Marques jr.

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