Das confortáveis paredes do silêncio
o mundo que imagino se avoluma.
Tateio a brancura da ausência, existindo
uma espessa camada de loucura.
Da natureza desnuda, minhas mãos
alcançam a fadiga das retinas.
Uma canção é assoprada pra dentro de minha boca
um hálito de suspense e frio, devora as palavras.
São desatinos e desafios,
rachaduras e fechaduras no riso lembrado
e um soco esperado, que manche de cor viva
o equilíbrio pesaroso dessa ordem.
Nilson Marques Jr.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Verso Inútil
Mais um verso inútil sobre minha alma.
Que vagueia intocável entre corpos secretos,
flores feridas.
Mais um lamento engessado de saudade.
Meu verso é minha mãe e é meu pai.
Por onde confesso pequenas belezas possíveis: uma declaração de amor,
uma lembrança de infância, uma espera saciada.
É por onde me salvo sem palavra alguma meu verso me denuncia.
O vejo em concreto armado
e nos artifícios da solidão.
Nilson Marques Jr.
Que vagueia intocável entre corpos secretos,
flores feridas.
Mais um lamento engessado de saudade.
Meu verso é minha mãe e é meu pai.
Por onde confesso pequenas belezas possíveis: uma declaração de amor,
uma lembrança de infância, uma espera saciada.
É por onde me salvo sem palavra alguma meu verso me denuncia.
O vejo em concreto armado
e nos artifícios da solidão.
Nilson Marques Jr.
Saudosismo Niilista
Sonhos,
Logo
Persisto.
Penso,
Portanto
Recrio.
Questiono
Pois
Equilibro.
Nilson Marques jr.
Logo
Persisto.
Penso,
Portanto
Recrio.
Questiono
Pois
Equilibro.
Nilson Marques jr.
Sobre Imagens
mesmo parado não
se preserva em silêncio.
Há uma vontade além do próprio
corpo que do corpo se precipita,
semelhante a pequenas luzes
no céu escurecido pelo tempo.
E que horas transijam na confluência
do desejo, por ser mulher.
Sem a pretensão do puritanismo
sem a manifestação da loucura
a mulher por si só já desnuda
todo o desejo que no desejo acumula.
Ser mulher é ser além do que se toca:
imaginação que exala a flor da aurora.
Nilson Marques Jr.
domingo, 23 de setembro de 2012
Resistência
A distancia era o que mais nos aproximava:
Adquirir do longe o que nunca se teria perto.
E a distancia qual media a nós, hoje é a reverberação
do vazio dentro do vazio, engolindo as lembranças e vomitando insônia e uma vontade
lacinante de não ser quem se é.
.
Que ao menos uma cantiga resista
a esse penar entranhável na carne debulhada,
hoje sem qualquer serventia, é o tátil do nada.
Miserável poesia que não me larga!
Como deve ser bom não ter razão, e cheirar perfumes, logo esquecendo e voltar a senti-los
a razão está em ti, estás certa em tudo quanto pondes a fazer.
Era o verso acusador, erra minha carne, está carne que não estanca nem cessa seu sangrar.
Nilson Marques Jr.
Na ruptura das coisas
Na ruptura das coisas
entendi que estive na hora errada,
no lugar certo. Tomei para mim artigos indevidos:
.
Segredos discretos, gozos incertos
declarações de plástico, imagens sonegadas,
um punhado de esperança demantelada.
.
Como um ladrão enchi meus olhos de tudo
que não havia e me adornei da livre expressão
do engano.
.
Esses meus olhos contemplam o vasto
cemitério e suas covas vazias, amontoa-se
de ossos os meus versos desmedidos.
Adiante o silêncio adentra
.
convidado pelo cheiro da mortandade
que me vesti na vã alegria de ser quem sou:
Este cemitério desabitado, carne putrefata e a cova rasa.
Nilson Marques Jr.
Poema de ciranda (conto de eras)
Quando não me custava entender
qualquer coisa e o mais complexo do dia
eram os nós dos cadarços.
.
Tu eras a menina amostrada
de fitas rosas e azuladas
que se ria de minha ausente beleza.
.
Já distante tais conflitos, eras tu
a amiga imaginária de meus banhos prolongados
e se apresentava em murchas noites no solo de meu recato.
.
Chegada a fase dos bailes, eras tu
que rejeitava mil convites, e múltiplos
desejos se entrelaçavam ao meus nervos
.
Pois tu eras a moça jamais tocada
porém cantada nas músicas melancólicas
que só os alforriados dos olhos teus podem cantar.
.
E quando o peso do sono perturbava era sobre ti
que eu confessava, menino pecador, cobiçando
o que não se pode saber.
.
E foi no exército que novamente te encontrei.
das revistas que circulavam tu eras todas
as moças desejáveis, e posavas nua
.
como num passeio em flores
e eu via nos teus olhos impressos
a costumeira rejeição para mim reservada.
.
E tu eras todas as mulheres que amei,
e tu eras todas as mulheres que não amei,
e tu eras aquela mocinha do cinema: amada do mocinho
pensando no bandido.
Nilson Marques Jr.
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