Bem cedinho um Corvo inventou de fazer ninho
roubando meus trapo, se escondeu lá pra dentro do espinhento faveleiro
vizinho da casaca de couro, só pra espreitar meu canto
E quando não aguento mais cantar, garganta ferida, ele fica em meu lugar
cantando as coisas de meus olhos que não choram, dos olhos claros que de mim se apartaram
pra todo dia me espiar, como se eu não fizesse o mesmo, nenhuma sabiá ou codornizes
nenhum bem-te-vi, nenhum caboclinho, nenhum azulão, nenhum papa-capim
sabe de ti, só o corvo agoureiro, das bandas de onde ela se foi, comunga
com meu silêncio cantado, também espreitado pela casaca de couro
Que me engana de manhã, anunciando a volta dos olhos que nem em foto
ousei guardar, me permito enganar pra de tardinha poder cantar
os versos que o corvo, na cumeeira das lembranças, não deixa faltar.
Nilson Marques Jr.
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