terça-feira, 8 de maio de 2012

Poema do limite da Palavra

O extremo das coisas é a razão.
Ao que foge dela e turva o entendimento, excede o sublime
instante da descoberta, apavora e extremece.

Mas são e estão nas coisas simples a exelência do homem,
no abraço e na vontade do abraço, no beijo e no gosto de seu vocabulário.
E a alma que não se vê, respira fundo o cheiro do sol.

São nesses momentos emudecidos que o poema nasce.
Todos os poemas do mundo são um só, gigante em sua miudeza aparente,
trazendo, gota por gota, a sede insaciável da beleza.

A criança que chora, o peito redondo de vida
Os pés descalços e a grama os sustentando
O chão ardente e a água, em suicídio, por ele se espalhando.

A lagarta procurando o cuidado de oculto para borboletear
E o homem cansado do dia, debruçando a satisfação na janela do ônibus.
Tudo cirandando, e a menina escreveu um nome engraçado no caderno no meio da aula, - que pecado!

Do outro lado da cidade o carro jogou o corpo sem nome sem idade ao ar
o vermelho da violência se espalhou no asfalto e jornal, todo mundo ficou sabendo
que um corpo sem nome e sem idade girou no ar.

Os pardais desceram e comeram o lanche que ele não poderia mais comer
e voaram por sobre os fios da cidade, e depois espantaram outras aves
que pousaram sobre a mangueira e se aninharam, e só meu verso viu.

Nilson Marques Jr.

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