segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Dicotomia

As horas martelam sobre a carne sua sentença. O tempo concluiu-se na distancia, na esperança, no medo.

A nossa música é dedilhada em cordas de suspense, dedos que mentem, caso existam. O que salva o homem é essa manifestação interna da vida.

Todos estão isolados, aguardam a morte que não se apresenta.

Mas é na alma que o sangue não coagula.

Um filete que salve, Salve poesia comum!
Poesia de terra nas roupas e nos pés

E que conjuga a dicotomia daincerteza:
Seja o homem corpo seja o homem razão

teremos nós os sentidos atrelados ao que não está possível:
Caminham, e são os objetivos incognitas.

Árvores que não oferecem sombras nem frutos,
porque me ofereceria? O que tenho eu para receber

qualquer coisa da natureza fora-humana?
Em nada, absoluto. Meu corpo se dedica a desolação

para que minha alma cresça. As aves,
pássaros e passarinhos de todas as espécies

o que gorgeiam, o que se assimila em mim deles?
Eu que não encontro rima alguma para o que sou

Admiro todas as coisas que estão longe, por serem admiráveis!

Dor de toda dilatação, criação em parto,
fantasmas de meus mortos adquiridos!

Nenhum ente a oferecer abrigo
a chuva aduba os campos de cores maravilhosas,

rotas para naufrágos do peito, uni-vos!
Como gostaria de inverter o que pertence a carne

ao que pertence o peito. O homem interno excelso
e o homem externo mínimo então se encontrariam.

Eu sou milhões de sentidos contidos nas palavras que
repito, nas tardes que não estive com meus filhos, nas noites
pesadas e por serem pesadas se sobressaem

Eu tenho pés na alma e asas no corpo!
Invento tantas canções completas em ar-vão

Eu compro casacos nos brechós dos poetas apodrecidos,
é o sangue que não coagula, a artéria resiste!

Toda Ciência vã, toda Fé vã
todo Milagre vão, toda Construção vã
todo Parto vão, toda Palavra vã

Sinto que me aproximam cada vez mais da solidão que preciso.

TIC TIC TIC TIC TIC
TAC TIC TIC TAC TAC

Estalam os ossos das paredes
minha bandeira perfumada em pólvora
flamula a necessidade de incessantemente

fazer Das Solidões e Dos Pór-virem
o mais adequado meio de comunicação

entre eu e eu mesmo.


Nilson Marques JR.

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