quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Ontem

Ontem foi o dia
para as mães morrerem
não hoje, não amanhã.

Ontem foi o dia
para os pais sumirem
Ou
exigirem
a sepultura no ventre
da enxertada.
Mas não hoje. Não amanhã.

O presente é este beijo,
este pão quentinho e o
café cotidiano na garganta.

Sente-se um pouco
Aqui a morte das cores não
chegar.

Minha oração fique suspensa na órbita de tua retina, caríssimo leitor.

E os meninos corram e desabem nas ruas do meu
coração, atrás das pipas

Que valem tanto que voam
tanto! A noite bem que poderia ficar cheinha de pipas, e não haver necessidade de outro dia

E a moça linda dos olhos
de toda infância, sonhando
meus passos, permanecesse

Meio assim espalhada
Justamente
Raiando sobre minha alma.


Nilson Marques Jr.

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