quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Há algo a mais do que muro entre nós II

Meu repouso não se pronuncia.
É meio triste quando a noite chega ao fim e não sei porque.
Pois que tudo que é escuro se espalha, só para que a clarevidência

de estrelas me tragam esperança. Do que ainda não sei.
Sou apenas um homem. Nenhum título, nenhuma poesia me salvaria
porque sou apenas um homem. A noite se prolonga muito mais do que o que eu esperava. É fria, mas não remete a morte. Só a distância.

Estamos todos isolados. Já não se sabe o que é vício e o que é necessidade. Palavra resistente em minha alma quando lembro
da mulher que amo. N E C E S S I D A D E.

Alguns cômodos estão fechados. Outros não tem portas.
Meu coração faz mais barulho do que o feirante do final de semana.
Para dentro da noite o sertão é todo carne.

Existem noites espalhadas em meus dentes. O vento
toma forma e um verso me foge por entre as linhas que imagino
sobre o chão em que escrevo minhas observações.
Dizer que a noite é fria o digo apenas por incômodo, pois na verdade
frio é o tempo num todo. A noite é generosa. Ensurdece em pavor sem espanto. Generosamente. Neste céu ausente pinto a cor que eu quiser!

É meu o céu e o negror. É meu o silêncio e o vento e eu rio da graça
dessas coisas-além serem minhas. Percebo que nunca houve dia:
Decorar textos, aprender cálculos, contar histórias que nunca me servirão
para nada nesta vida. Pessoas tantas que nunca serão nada nesta vida.

Eu mesmo para quem não sabe, serei nada nesta vida. Mas a vida é longa,
e a noite também. As horas cabem dentro da noite e a noite provoca o corpo. Tudo em mim é o que imagino. Não são realidades, senão a moça que me possui a vontade. A realidade que crio pra dentro de mim é toda minha e foge à noite. Nada que eu faça me fará ir além do que o previsto.
Eu mesmo conseguiria, caso saísse desse corpo ou se o corpo fosse alma, também. Como é triste a realidade. Como é triste essa coisa de se estar sem querer, como são tristes esses homens que não conhecem a noite, e me desejam bom-dia. Não rapaz, é boa-noite. Minha voz cansada estará na garganta possível que recite um verso sequer que eu sinta.
Palavra já não há, nem sono: O homem sumiu.

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