Recife
Minha terra, há quanto tempo!...
Surpresa boa ainda te encontrar em mim,
Nessa disposição em confraternizar as coisas
concretas com as coisas que imagino.
Meus avós ainda pertencem a ti.
Minha infância perpetuamente tua
Me assombram a idade, por favor
não se relhe, mas não voltarei a isto.
Ainda não sai daquela passeata
em frevo do Galo da Madrugada
eu te juro que não nego a pátria
nordestina, mãe que me cuspiu!
Isto nem existe mãe, mas por gentileza
umedeça a lama do teu mangue no meu nome
que quase quebra de tão estranhos que ficamos.
Tantos ferros erguidos, tanto concreto e pré-moldados
para ficarmos mais parecidos com a frieza do outro lado.
Mas é cá na minha imaginação que teus maracatus
não cessam a procissão.
Não voltei, Recife
não por falta de saudade
Mas é que meus braços perderam seus
abraços. EU Fiquei com medo e no medo
me mantive, meu Recife, minha Recife.
Tive notícias tua outro dia
Nossos tubarões manobram bem nos
arrecifes. Eu estive lá, eu lembro do meu
pai e dos meus irmãos, eu estive lá!
Ando com uma vontade danada de chorar
como se choro resolvesse alguma coisa,
Como se esse sentimentalismo
dissolvesse a solidão que me aquece.
Não é isso... me acostumei a ter
sotaque diferente, e é isso que me agrada!
Quero te contar que nas minhas andanças
não me afastei muito, visse
Meus filhos tem o teu cheirinho,
e minha fé se comunica
com teus casarões.
Eu tento me explicar pra ti
nesse nosso conjugar verbal torto
que é corretíssimo entre nós
Eu tenho teu arco-íris no sangue,
te chamo de meu pai, as vezes minha mãe
te peregrino, as tuas ruas bonitas continuam em mim.
Nilson Marques Jr.
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