segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Recife

Recife

Minha terra, há quanto tempo!...
Surpresa boa ainda te encontrar em mim,
Nessa disposição em confraternizar as coisas

concretas com as coisas que imagino.
Meus avós ainda pertencem a ti.
Minha infância perpetuamente tua

Me assombram a idade, por favor
não se relhe, mas não voltarei a isto.
Ainda não sai daquela passeata

em frevo do Galo da Madrugada
eu te juro que não nego a pátria
nordestina, mãe que me cuspiu!

Isto nem existe mãe, mas por gentileza
umedeça a lama do teu mangue no meu nome
que quase quebra de tão estranhos que ficamos.

Tantos ferros erguidos, tanto concreto e pré-moldados
para ficarmos mais parecidos com a frieza do outro lado.
Mas é cá na minha imaginação que teus maracatus

não cessam a procissão.
Não voltei, Recife
não por falta de saudade

Mas é que meus braços perderam seus
abraços. EU Fiquei com medo e no medo
me mantive, meu Recife, minha Recife.

Tive notícias tua outro dia
Nossos tubarões manobram bem nos
arrecifes. Eu estive lá, eu lembro do meu

pai e dos meus irmãos, eu estive lá!
Ando com uma vontade danada de chorar
como se choro resolvesse alguma coisa,

Como se esse sentimentalismo
dissolvesse a solidão que me aquece.
Não é isso... me acostumei a ter

sotaque diferente, e é isso que me agrada!
Quero te contar que nas minhas andanças
não me afastei muito, visse

Meus filhos tem o teu cheirinho,
e minha fé se comunica
com teus casarões.

Eu tento me explicar pra ti
nesse nosso conjugar verbal torto
que é corretíssimo entre nós

Eu tenho teu arco-íris no sangue,
te chamo de meu pai, as vezes minha mãe
te peregrino, as tuas ruas bonitas continuam em mim.


Nilson Marques Jr.

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