Recife
Minha terra, há quanto tempo!...
Surpresa boa ainda te encontrar em mim,
Nessa disposição em confraternizar as coisas
concretas com as coisas que imagino.
Meus avós ainda pertencem a ti.
Minha infância perpetuamente tua
Me assombram a idade, por favor
não se relhe, mas não voltarei a isto.
Ainda não sai daquela passeata
em frevo do Galo da Madrugada
eu te juro que não nego a pátria
nordestina, mãe que me cuspiu!
Isto nem existe mãe, mas por gentileza
umedeça a lama do teu mangue no meu nome
que quase quebra de tão estranhos que ficamos.
Tantos ferros erguidos, tanto concreto e pré-moldados
para ficarmos mais parecidos com a frieza do outro lado.
Mas é cá na minha imaginação que teus maracatus
não cessam a procissão.
Não voltei, Recife
não por falta de saudade
Mas é que meus braços perderam seus
abraços. EU Fiquei com medo e no medo
me mantive, meu Recife, minha Recife.
Tive notícias tua outro dia
Nossos tubarões manobram bem nos
arrecifes. Eu estive lá, eu lembro do meu
pai e dos meus irmãos, eu estive lá!
Ando com uma vontade danada de chorar
como se choro resolvesse alguma coisa,
Como se esse sentimentalismo
dissolvesse a solidão que me aquece.
Não é isso... me acostumei a ter
sotaque diferente, e é isso que me agrada!
Quero te contar que nas minhas andanças
não me afastei muito, visse
Meus filhos tem o teu cheirinho,
e minha fé se comunica
com teus casarões.
Eu tento me explicar pra ti
nesse nosso conjugar verbal torto
que é corretíssimo entre nós
Eu tenho teu arco-íris no sangue,
te chamo de meu pai, as vezes minha mãe
te peregrino, as tuas ruas bonitas continuam em mim.
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Dicotomia
As horas martelam sobre a carne sua sentença. O tempo concluiu-se na distancia, na esperança, no medo.
A nossa música é dedilhada em cordas de suspense, dedos que mentem, caso existam. O que salva o homem é essa manifestação interna da vida.
Todos estão isolados, aguardam a morte que não se apresenta.
Mas é na alma que o sangue não coagula.
Um filete que salve, Salve poesia comum!
Poesia de terra nas roupas e nos pés
E que conjuga a dicotomia daincerteza:
Seja o homem corpo seja o homem razão
teremos nós os sentidos atrelados ao que não está possível:
Caminham, e são os objetivos incognitas.
Árvores que não oferecem sombras nem frutos,
porque me ofereceria? O que tenho eu para receber
qualquer coisa da natureza fora-humana?
Em nada, absoluto. Meu corpo se dedica a desolação
para que minha alma cresça. As aves,
pássaros e passarinhos de todas as espécies
o que gorgeiam, o que se assimila em mim deles?
Eu que não encontro rima alguma para o que sou
Admiro todas as coisas que estão longe, por serem admiráveis!
Dor de toda dilatação, criação em parto,
fantasmas de meus mortos adquiridos!
Nenhum ente a oferecer abrigo
a chuva aduba os campos de cores maravilhosas,
rotas para naufrágos do peito, uni-vos!
Como gostaria de inverter o que pertence a carne
ao que pertence o peito. O homem interno excelso
e o homem externo mínimo então se encontrariam.
Eu sou milhões de sentidos contidos nas palavras que
repito, nas tardes que não estive com meus filhos, nas noites
pesadas e por serem pesadas se sobressaem
Eu tenho pés na alma e asas no corpo!
Invento tantas canções completas em ar-vão
Eu compro casacos nos brechós dos poetas apodrecidos,
é o sangue que não coagula, a artéria resiste!
Toda Ciência vã, toda Fé vã
todo Milagre vão, toda Construção vã
todo Parto vão, toda Palavra vã
Sinto que me aproximam cada vez mais da solidão que preciso.
TIC TIC TIC TIC TIC
TAC TIC TIC TAC TAC
Estalam os ossos das paredes
minha bandeira perfumada em pólvora
flamula a necessidade de incessantemente
fazer Das Solidões e Dos Pór-virem
o mais adequado meio de comunicação
entre eu e eu mesmo.
Nilson Marques JR.
A nossa música é dedilhada em cordas de suspense, dedos que mentem, caso existam. O que salva o homem é essa manifestação interna da vida.
Todos estão isolados, aguardam a morte que não se apresenta.
Mas é na alma que o sangue não coagula.
Um filete que salve, Salve poesia comum!
Poesia de terra nas roupas e nos pés
E que conjuga a dicotomia daincerteza:
Seja o homem corpo seja o homem razão
teremos nós os sentidos atrelados ao que não está possível:
Caminham, e são os objetivos incognitas.
Árvores que não oferecem sombras nem frutos,
porque me ofereceria? O que tenho eu para receber
qualquer coisa da natureza fora-humana?
Em nada, absoluto. Meu corpo se dedica a desolação
para que minha alma cresça. As aves,
pássaros e passarinhos de todas as espécies
o que gorgeiam, o que se assimila em mim deles?
Eu que não encontro rima alguma para o que sou
Admiro todas as coisas que estão longe, por serem admiráveis!
Dor de toda dilatação, criação em parto,
fantasmas de meus mortos adquiridos!
Nenhum ente a oferecer abrigo
a chuva aduba os campos de cores maravilhosas,
rotas para naufrágos do peito, uni-vos!
Como gostaria de inverter o que pertence a carne
ao que pertence o peito. O homem interno excelso
e o homem externo mínimo então se encontrariam.
Eu sou milhões de sentidos contidos nas palavras que
repito, nas tardes que não estive com meus filhos, nas noites
pesadas e por serem pesadas se sobressaem
Eu tenho pés na alma e asas no corpo!
Invento tantas canções completas em ar-vão
Eu compro casacos nos brechós dos poetas apodrecidos,
é o sangue que não coagula, a artéria resiste!
Toda Ciência vã, toda Fé vã
todo Milagre vão, toda Construção vã
todo Parto vão, toda Palavra vã
Sinto que me aproximam cada vez mais da solidão que preciso.
TIC TIC TIC TIC TIC
TAC TIC TIC TAC TAC
Estalam os ossos das paredes
minha bandeira perfumada em pólvora
flamula a necessidade de incessantemente
fazer Das Solidões e Dos Pór-virem
o mais adequado meio de comunicação
entre eu e eu mesmo.
Nilson Marques JR.
terça-feira, 11 de junho de 2013
Das confortáveis paredes do silêncio
Das confortáveis paredes do silêncio
o mundo que imagino se avoluma.
Tateio a brancura da ausência, existindo
uma espessa camada de loucura.
Da natureza desnuda, minhas mãos
alcançam a fadiga das retinas.
Uma canção é assoprada pra dentro de minha boca
um hálito de suspense e frio, devora as palavras.
São desatinos e desafios,
rachaduras e fechaduras no riso lembrado
e um soco esperado, que manche de cor viva
o equilíbrio pesaroso dessa ordem.
Nilson Marques Jr.
o mundo que imagino se avoluma.
Tateio a brancura da ausência, existindo
uma espessa camada de loucura.
Da natureza desnuda, minhas mãos
alcançam a fadiga das retinas.
Uma canção é assoprada pra dentro de minha boca
um hálito de suspense e frio, devora as palavras.
São desatinos e desafios,
rachaduras e fechaduras no riso lembrado
e um soco esperado, que manche de cor viva
o equilíbrio pesaroso dessa ordem.
Nilson Marques Jr.
Verso Inútil
Mais um verso inútil sobre minha alma.
Que vagueia intocável entre corpos secretos,
flores feridas.
Mais um lamento engessado de saudade.
Meu verso é minha mãe e é meu pai.
Por onde confesso pequenas belezas possíveis: uma declaração de amor,
uma lembrança de infância, uma espera saciada.
É por onde me salvo sem palavra alguma meu verso me denuncia.
O vejo em concreto armado
e nos artifícios da solidão.
Nilson Marques Jr.
Que vagueia intocável entre corpos secretos,
flores feridas.
Mais um lamento engessado de saudade.
Meu verso é minha mãe e é meu pai.
Por onde confesso pequenas belezas possíveis: uma declaração de amor,
uma lembrança de infância, uma espera saciada.
É por onde me salvo sem palavra alguma meu verso me denuncia.
O vejo em concreto armado
e nos artifícios da solidão.
Nilson Marques Jr.
Saudosismo Niilista
Sonhos,
Logo
Persisto.
Penso,
Portanto
Recrio.
Questiono
Pois
Equilibro.
Nilson Marques jr.
Logo
Persisto.
Penso,
Portanto
Recrio.
Questiono
Pois
Equilibro.
Nilson Marques jr.
Sobre Imagens
mesmo parado não
se preserva em silêncio.
Há uma vontade além do próprio
corpo que do corpo se precipita,
semelhante a pequenas luzes
no céu escurecido pelo tempo.
E que horas transijam na confluência
do desejo, por ser mulher.
Sem a pretensão do puritanismo
sem a manifestação da loucura
a mulher por si só já desnuda
todo o desejo que no desejo acumula.
Ser mulher é ser além do que se toca:
imaginação que exala a flor da aurora.
Nilson Marques Jr.
domingo, 23 de setembro de 2012
Resistência
A distancia era o que mais nos aproximava:
Adquirir do longe o que nunca se teria perto.
E a distancia qual media a nós, hoje é a reverberação
do vazio dentro do vazio, engolindo as lembranças e vomitando insônia e uma vontade
lacinante de não ser quem se é.
.
Que ao menos uma cantiga resista
a esse penar entranhável na carne debulhada,
hoje sem qualquer serventia, é o tátil do nada.
Miserável poesia que não me larga!
Como deve ser bom não ter razão, e cheirar perfumes, logo esquecendo e voltar a senti-los
a razão está em ti, estás certa em tudo quanto pondes a fazer.
Era o verso acusador, erra minha carne, está carne que não estanca nem cessa seu sangrar.
Nilson Marques Jr.
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