sábado, 3 de fevereiro de 2018
Capuccino
O Sabor do não acontecido
está reservado nesta xícara.
Diante de mim não é o calor
que me arde os dedos ou o creme
a envolver meus lábios.
Está na língua das idéias
as histórias aguardadas, e
Porque Ser justo a minha dentre
tantas a se desenvolver fora do que
[é crença?
No outro espaço, logo a frente
um casal come e bebe. Minha imaginação
lhes dá possibilidades muito mais belas
(pois sou eu quem as imagino.)
Nada tenho senão
a vontade de um verso
sangrando vidas em postas, e que
levem um pouco de mim
em seus cabelos, por baixo
das unhas, no sentido da língua.
Estou só
A vida inteira indivisivelmente
retida em goles mornos que, avulso,
absorvo automático.
Me pesa a ausência da poesia pelas ruas.
E lamento pela música que se extraviou.
A beleza está ausente.
A coragem está ausente.
Formas delicadas e Femininas se embrutecendo.
Meu Deus, A Minha fé também está ausente!
- Outra xícara, por favor!
Aumento o tom da voz
Para Ser lembrado E aogra
um cachorro se aproxima.
Volta minha alegria nos olhos
do animal, me sinto feliz.
Se deita aos meus pés
e meu coração não o compreende.
Meu coração é um senhor do século XVIII
vendedor de tecidos. Meu coração é
meu conflito. Discutimos a didática
inútil da solidão.
Nilson Marques Jr.
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