A gente alcança certa idade
em que vê ou não vê o amor em tudo.
Compreendendo quando é desespero;
Bala avulsa sem partida ou chegada.
A língua ácida cansada de militância
repousa anestesiada sobre outra.
A gente cansa em certa idade
das mentiras para poder, na pobreza,
imaginar o que é toque, entrega, distância.
Abrupto fulgor esplêndido ou
o que poderia ser isto!
Ver-se a mulher amada dormir enquanto
uma guerra acorrenta a Líbia,
se arrebenta a corda grave do violão
desafinado e ninguém percebeu.
Não querer amar é como tecer fé
a um deus nas mãos de um semideus.
Amar vencido amor e basta!
Chegará certa data que o tempo
ficará suspenso na folhinha de calendário
e o corpo se manterá como um consequência
de Saveiros cansados e apodrecerá
em gestos esquecidos em lembranças e devaneios.
Chega determinada partilha da vida
onde a pele cansada é velada
para o túmulo das palavras desprezadas.
Palavras-beijos, palavras-orgarmos
do sabor da mulher eternal
a escorregar no canto do vigor fenecido.
Embriaguez revisitada
em silhuetas de memória
e as pernas a acolher
gemidos em estado dicionário,
fogem por necessidades abandonadas.
Chegamos a certo instante da vida
onde tudo é aceitável: Amar não Amar
Amar não Amar grita meu peito no vazio do agora.
Nilson Marques Jr.
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