sábado, 3 de fevereiro de 2018

Das dores a necessidade.

Levou sobre si suas histórias.
sem provas dos acontecidos
dançava entre tropeços e solidão.

Vestia cada nome repetido,
vidas repartidas em
estrutura fantasiosamente palpável

causando desequilíbrio nas calçadas
onde repousa a última lágrima,
até os olhos perderem os motivos.

Se alimentando do prato ofertado, retribui
o agrado com versos sutis, mastigando as palavras,
engolindo com a carne todo destino comum.

Seus mal-assombros de estimação,
seus meninos pagãos, seus cônegos
amados por moças audazes, que por amar
eram malditas.

Foge por entre os dentes o lastro sortido
de acontecimentos distantes.
Pela pele se sabe que jamais desatou

da terra encarnada, mas são suas
as florestas e as rezas.

Nada que se contava se afastava do seu cheiro.
Dele todas as dores e desilusão.
Ações heroicas que levava a ausência de tudo,

cemitérios ora no céu noutras em Geena,
como quem desiste da realidade coletiva
se atém a outra mais profunda.

Lapidada por um tempo partido
onde os Santos desciam e o benziam.
mantinha íntima afeição com sábios

velhos a África que, segundo sua fábula,
as vezes se desentendiam com outros
velhos sábios com feição dos bichos de nossa fauna.

Virava ave agoureira quando ninguém o via.
Lambia as moças bêbadas nos cabarés,
riscava punhal contra o peito na luta fria

da ausência quando a realidade estranha lhe vencia
e punha suas vivências a se desfazer,
mas por orgulho sonha e se redime.

Quando as casas silenciam ele caminha,
parecido com palavras sobre linhas.
Caminha como quem se embriaga,

encantado,

as vezes salta em jornal sensacionalista.
Já o vi gangrenar o tempo, já o vi em verso sem autoria.

Nilson Marques Jr.   

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