Esta chuva toda, açoites e espadas
d'água, que lindo são os carros naufragados, - Antes trovoasse
apenas para mim e não sentisse a punição por ver beleza.
E só eu enxergasse o hediondo
por minha janelas de todas as janelas e a imaginação
não abordassem os homens fortes
que boiam que gritam que dão entrevistas.
Mas eles falam e choram e aguardam o noticiário
enquanto a noite abraça tudo e a água continua,
contínua em sua odisséia. E este frio bom
me faz imaginar uma boa recordação
Como se a chuva
e a noite
e as dores
fossem todas minhas.
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 13 de abril de 2012
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Aprendiz
Sou o aprendiz de tudo o que ensino.
Meu conhecimento é parte, não totalidade.
Sou um aprendiz de ser.
Se estou entre homens e estou no silêncio de possibilidades
atarracadas a tantas nomeclaturas e planilhas e avanços
e são tantas coisas juntas
eu fico rente a abelhas desapercebidas
entre arranha-céus que não nos dizem nada
além do concreto sujo. Já não me preocupo
em entender ou ser aio, pudesse o meu verso
não ser verso, nem arte, e assim ter o peso da comunicação
dos avós ou o cheiro de qualquer infância
seria o meu conhecimento bem sucedido, mínimo
que fosse, o seria pleno. Mas a existência requer
medo, aí então compreendo minha luzente
insignificância. Noto eu, que jamais fui coisa alguma
exceto desejo. Firme. Dentro do que comungo.
Aprendo como se nada soubesse
estando sem ocupar espaço algum
existindo em momento tão curto quanto
qualquer conhecimento
para dentro do infinito:
Sepultura.
Nilson Marques Jr.
Meu conhecimento é parte, não totalidade.
Sou um aprendiz de ser.
Se estou entre homens e estou no silêncio de possibilidades
atarracadas a tantas nomeclaturas e planilhas e avanços
e são tantas coisas juntas
eu fico rente a abelhas desapercebidas
entre arranha-céus que não nos dizem nada
além do concreto sujo. Já não me preocupo
em entender ou ser aio, pudesse o meu verso
não ser verso, nem arte, e assim ter o peso da comunicação
dos avós ou o cheiro de qualquer infância
seria o meu conhecimento bem sucedido, mínimo
que fosse, o seria pleno. Mas a existência requer
medo, aí então compreendo minha luzente
insignificância. Noto eu, que jamais fui coisa alguma
exceto desejo. Firme. Dentro do que comungo.
Aprendo como se nada soubesse
estando sem ocupar espaço algum
existindo em momento tão curto quanto
qualquer conhecimento
para dentro do infinito:
Sepultura.
Nilson Marques Jr.
Poema do Amor constante
Te amo, no embaralhar de línguas,
neste silencio que as palavras promovem,
eis nele o amor.
Te amo nesta ausencia de perspectiva, como
um clamor ao Sagrado. Um perdão esperado...
E pouco a pouco sílabas e vogais e números vão
lutando, corpo a corpo, sobre o vão da imaginação
em que o desejo publica. Fome aos famintos, sem
miséria alguma, boca e saliva e revolta em desejo.
O cheiro da falta, a sensibilidade da saudade
o nome impresso em ponteiros
e este silvo dentro de cada palavra sem sentido.
Eu te amo. Contínuo. Amo
Haveria um outro verso,
mas essa chuva, e essa luz adiante
e esse arrepio em si mesmo se bastam.
Nilson Marques Jr.
neste silencio que as palavras promovem,
eis nele o amor.
Te amo nesta ausencia de perspectiva, como
um clamor ao Sagrado. Um perdão esperado...
E pouco a pouco sílabas e vogais e números vão
lutando, corpo a corpo, sobre o vão da imaginação
em que o desejo publica. Fome aos famintos, sem
miséria alguma, boca e saliva e revolta em desejo.
O cheiro da falta, a sensibilidade da saudade
o nome impresso em ponteiros
e este silvo dentro de cada palavra sem sentido.
Eu te amo. Contínuo. Amo
Haveria um outro verso,
mas essa chuva, e essa luz adiante
e esse arrepio em si mesmo se bastam.
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Poema em folha branco & preto
A minha inspiração é secreta de tão aberta que é
Não preciso de muito brilho para compreender as cores
Nem de tantas pernas para saber o caminho
Parto do princípio das vozes dos cheiros e dos anos
Se ouço ou leio um nome não preciso de canção de amor
pois em dias de chuva há sempre um sol disposto a aquecer as carnes
Vejo os homens indo e vindo, toda humanidade peregrina em mim
Sinto, por pouco, insuportável vontade de me explicar
Falar de mim como homem, bicho alucinado ante a falida razão tátil
Escrevo o nome dela como se ainda fosse imaturo
mas as minhas rugas me permitem essa liberdade
Desenho o nome dela, rascunho letra por letra com pena de passarinho
que pousou, cantou e sumiu sem que mais ninguém ouvisse
Desaprendo cada dia um pouco mais de mim
Vou me entendendo em desejos, conquistas e sabores
Começou um barulho bom lá na rua.
No meu coração muitas ruas se encontram e se perdem sem saída
Faltou luz nas casas e as crianças nem percebem que compoem uma sinfonia.
Nilson Marques jr.
Não preciso de muito brilho para compreender as cores
Nem de tantas pernas para saber o caminho
Parto do princípio das vozes dos cheiros e dos anos
Se ouço ou leio um nome não preciso de canção de amor
pois em dias de chuva há sempre um sol disposto a aquecer as carnes
Vejo os homens indo e vindo, toda humanidade peregrina em mim
Sinto, por pouco, insuportável vontade de me explicar
Falar de mim como homem, bicho alucinado ante a falida razão tátil
Escrevo o nome dela como se ainda fosse imaturo
mas as minhas rugas me permitem essa liberdade
Desenho o nome dela, rascunho letra por letra com pena de passarinho
que pousou, cantou e sumiu sem que mais ninguém ouvisse
Desaprendo cada dia um pouco mais de mim
Vou me entendendo em desejos, conquistas e sabores
Começou um barulho bom lá na rua.
No meu coração muitas ruas se encontram e se perdem sem saída
Faltou luz nas casas e as crianças nem percebem que compoem uma sinfonia.
Nilson Marques jr.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Encontro
Era realmente um homem feio. Traços másculos voz grave e firme, sujeito a quem o vinham na expectativa de violência. Poucos o conheciam, e era conhecido como O Feio. Ao espelho da memória, condenado por dedos em riste e zombarias companheiras desde a infância, o faziam entender e achar graciosa a falta de beleza.
Dois momentos de sua vida influenciavam sua mente de homem: esse homem ora exilado de afeto ora desejado expositiva e ocultamente contrastavam a realidade que ele mesmo havia se habituado quando algo assim ocorria não se via ele, mas um outro como se ele fosse um adereço para o curso do desejo.
Nesta outra realidade ele conseguia se auto analisar, sem pesares. Esperava atentamente ver o copo ser erguido por ele mesmo na padaria em frente de onde se encontrava agora. Era um café quente, quase sentia o gosto e o dedo arder pelo calor do copo. Não haviam dúvidas de que aquele homem comum, do outro lado, era ele mesmo. Pessoas sentavam ao lado, participando de uma refeição sem o menor entendimento entre si, como se todos fossem objetos incomunicáveis. Certa aflição tomou conta de seus sentidos, poderia ir até lá e iniciar um diálogo, porém com que objetivo? O outro entenderia sua aproximação e será que ele também o reconheceria? Eram questionamentos rodopiando em sua mente fervilhante. Outras circunstâncias o impediam de ir até lá, essas ele não sabia das nomes, era um homem, comum cidadão, sem nada de grande interesse.
O suor frio desenhava sua testa e as mãos tremiam, era espantoso ver-se noutro e em aspectos tão diferente:
"- Nem gosto de café", pensou. Logo terminado o homem saiu, e caminhou por duas longas ruas, completamento afastado dos demais transeuntes, ele foi até certo conjunto empresarial entrou e rapidamente saiu. Rapidamente não significa que foi imediato, cerca de duas horas depois, mas a sensação era de poucos minutos. O Feio tentava despistar seu interesse até por motivo machista pois sentia que deveria estar ocupado nalguma mulher e não num homem mesmo que esse homem fosse ele mesmo perambulando por aí. e ele sabia bem o que é não ser buscado pois tudo o que não salta ao questionamento alheio se torna desprezível e era assim que se sentia.
Já eram horas e horas envolvidas em ligações, encontros, quase atropelo, mais comida de rua, abraços e um encontro marcado. "- Como poderia eu ser ele?", Voltava a se questionar, pessoas tão diferentes e apenas ele acreditava nisso pois o outro nem mesmo lhe notou durante todo o dia. Ele se sentiu abatido e confuso, mais ainda porque sua feiura era atrativo de olhares, mas agora ele simplesmente sumiu.
Dias e dias passavam corridos e constantes e aquele homem mostrou uma vida agitada e convidativa. Depois de quase uma semana Feio decidiu ir até ele. Sua vontade era de esmurrar o homem e em outros momentos de falar sobre ele mesmo para que o homem aceitasse que eram a mesma pessoa.
O homem estava em todos os lugares, ele não conseguia se libertar disso. Pensou em morte e se era possível alguém ser tão feliz quanto ele era naquele homem. Viu que era amado, e que o seu apartamento não era solitário, e quando olhava para si, Feio fazia grande esforço para lembrar o endereço de sua casa.
Chegou ao ponto onde não poderia passar dali. Era hora do encontro. Noite de sexta, comecinho de noite, tempo perfeito. Feio o aguardou em frente a guarita e nada do homem descer. As luzes foram acesas. Mesmo sem estar lá Feio sabia quais foram acesas e o que o homem estava fazendo. Isso foi deixando ele nervoso, mais ainda. Nada do homem descer, e Feio sabia que ele não desceria. Talvez por ter tamanha certeza disso é que ele decidiu fazer o encontro nesse dia e tempo. O frio da noite foi aumentando e o cansaço também. Deu umas voltas para não chamar a atenção, o que não era necessário pois o Feio não era notado ou esperado, segundo o que ele mesmo pensava de si, como o Feio.
Certa melancolia e angústia o envolveu de maneira tão assustadora que se viu apavorado e se sentindo sem saída. O homem, isto é, ele mesmo, no apartamento, trancou todas as portas, desligou celulares interfone e telefone. Apenas as luzes o representavam. Os movimentos cessaram. Feio ficou preocupado, aterrorizado! E tamanho foi o pavor que ele caiu sem forças sendo rapidamente socorrido por um morador que iria iniciar uma caminhada. O rapaz se mostrou muito atencioso, e lhe deu um pouco da água que levava, quase forçando o Feio a beber. O bom samaritano notou os olhos e nariz vermelhos e questionando algum número de amigo ou familiar dele para um atendimento hospitalar. O que não conseguiu, feio não tinha ninguém para conversar senão ele mesmo que continuava trancado no apartamento. Era muito para um peito de homem suportar, mesmo sendo o peito do Feio não conseguiria suportar as dores de ser duas vezes ele mesmo.
Seus olhos embaçados viram o samaritano o erguer e desejar uma conversa, ele disse que o estava vendo desde cedo e estava curioso em conhecê-lo. Nesse momento um silêncio pesou sobre a noite, nenhuma sirene ou grito ou qualquer som foi percebido. Um abraço selou o agradecimento e o sentimento de dever cumprido. Cabeça baixa e ainda zonzo Feio foi caminhando e algumas lembranças que não eram suas foram aparecendo a sua mente. Certo assalto e medo e dois tiros e uma mulher morta. Ele parou olhou fixamente nos olhos do seu "samaritano" e era como se ele esperasse por esse olhar do Feio. Feio entendeu muito mais do que gostaria e voltando para sua despedida a cabeça não estava mais voltada para o chão. Dobrou a esquina e as luzes do apartamento foram apagadas.
Nilson Marques Jr.
Dois momentos de sua vida influenciavam sua mente de homem: esse homem ora exilado de afeto ora desejado expositiva e ocultamente contrastavam a realidade que ele mesmo havia se habituado quando algo assim ocorria não se via ele, mas um outro como se ele fosse um adereço para o curso do desejo.
Nesta outra realidade ele conseguia se auto analisar, sem pesares. Esperava atentamente ver o copo ser erguido por ele mesmo na padaria em frente de onde se encontrava agora. Era um café quente, quase sentia o gosto e o dedo arder pelo calor do copo. Não haviam dúvidas de que aquele homem comum, do outro lado, era ele mesmo. Pessoas sentavam ao lado, participando de uma refeição sem o menor entendimento entre si, como se todos fossem objetos incomunicáveis. Certa aflição tomou conta de seus sentidos, poderia ir até lá e iniciar um diálogo, porém com que objetivo? O outro entenderia sua aproximação e será que ele também o reconheceria? Eram questionamentos rodopiando em sua mente fervilhante. Outras circunstâncias o impediam de ir até lá, essas ele não sabia das nomes, era um homem, comum cidadão, sem nada de grande interesse.
O suor frio desenhava sua testa e as mãos tremiam, era espantoso ver-se noutro e em aspectos tão diferente:
"- Nem gosto de café", pensou. Logo terminado o homem saiu, e caminhou por duas longas ruas, completamento afastado dos demais transeuntes, ele foi até certo conjunto empresarial entrou e rapidamente saiu. Rapidamente não significa que foi imediato, cerca de duas horas depois, mas a sensação era de poucos minutos. O Feio tentava despistar seu interesse até por motivo machista pois sentia que deveria estar ocupado nalguma mulher e não num homem mesmo que esse homem fosse ele mesmo perambulando por aí. e ele sabia bem o que é não ser buscado pois tudo o que não salta ao questionamento alheio se torna desprezível e era assim que se sentia.
Já eram horas e horas envolvidas em ligações, encontros, quase atropelo, mais comida de rua, abraços e um encontro marcado. "- Como poderia eu ser ele?", Voltava a se questionar, pessoas tão diferentes e apenas ele acreditava nisso pois o outro nem mesmo lhe notou durante todo o dia. Ele se sentiu abatido e confuso, mais ainda porque sua feiura era atrativo de olhares, mas agora ele simplesmente sumiu.
Dias e dias passavam corridos e constantes e aquele homem mostrou uma vida agitada e convidativa. Depois de quase uma semana Feio decidiu ir até ele. Sua vontade era de esmurrar o homem e em outros momentos de falar sobre ele mesmo para que o homem aceitasse que eram a mesma pessoa.
O homem estava em todos os lugares, ele não conseguia se libertar disso. Pensou em morte e se era possível alguém ser tão feliz quanto ele era naquele homem. Viu que era amado, e que o seu apartamento não era solitário, e quando olhava para si, Feio fazia grande esforço para lembrar o endereço de sua casa.
Chegou ao ponto onde não poderia passar dali. Era hora do encontro. Noite de sexta, comecinho de noite, tempo perfeito. Feio o aguardou em frente a guarita e nada do homem descer. As luzes foram acesas. Mesmo sem estar lá Feio sabia quais foram acesas e o que o homem estava fazendo. Isso foi deixando ele nervoso, mais ainda. Nada do homem descer, e Feio sabia que ele não desceria. Talvez por ter tamanha certeza disso é que ele decidiu fazer o encontro nesse dia e tempo. O frio da noite foi aumentando e o cansaço também. Deu umas voltas para não chamar a atenção, o que não era necessário pois o Feio não era notado ou esperado, segundo o que ele mesmo pensava de si, como o Feio.
Certa melancolia e angústia o envolveu de maneira tão assustadora que se viu apavorado e se sentindo sem saída. O homem, isto é, ele mesmo, no apartamento, trancou todas as portas, desligou celulares interfone e telefone. Apenas as luzes o representavam. Os movimentos cessaram. Feio ficou preocupado, aterrorizado! E tamanho foi o pavor que ele caiu sem forças sendo rapidamente socorrido por um morador que iria iniciar uma caminhada. O rapaz se mostrou muito atencioso, e lhe deu um pouco da água que levava, quase forçando o Feio a beber. O bom samaritano notou os olhos e nariz vermelhos e questionando algum número de amigo ou familiar dele para um atendimento hospitalar. O que não conseguiu, feio não tinha ninguém para conversar senão ele mesmo que continuava trancado no apartamento. Era muito para um peito de homem suportar, mesmo sendo o peito do Feio não conseguiria suportar as dores de ser duas vezes ele mesmo.
Seus olhos embaçados viram o samaritano o erguer e desejar uma conversa, ele disse que o estava vendo desde cedo e estava curioso em conhecê-lo. Nesse momento um silêncio pesou sobre a noite, nenhuma sirene ou grito ou qualquer som foi percebido. Um abraço selou o agradecimento e o sentimento de dever cumprido. Cabeça baixa e ainda zonzo Feio foi caminhando e algumas lembranças que não eram suas foram aparecendo a sua mente. Certo assalto e medo e dois tiros e uma mulher morta. Ele parou olhou fixamente nos olhos do seu "samaritano" e era como se ele esperasse por esse olhar do Feio. Feio entendeu muito mais do que gostaria e voltando para sua despedida a cabeça não estava mais voltada para o chão. Dobrou a esquina e as luzes do apartamento foram apagadas.
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
* Espelho perfeito
O mundo está ficando longo demasiadamente.
Cheio de verdades negadas e angústias.
Posso conhecer tudo sem saber o cheiro
das coisas, se é que existe gente além das coisas.
Eu deveria ter medo. Contabilizo o pouco
do que me sobra de lembranças esmigalhadas; poderia
ao menos me dispor a estar, como se
houvesse fé nisto, mas não há.
Estou estranho como mandacaru em centro urbano.
E livre feito pássaro levado em gaiola.
Entender que o mundo chegou ao cúmulo das
não conquistas, mãos sem mãos conhecidas, risos caricaturáveis
Saber que estou sem estar presente
ou cidadão pária de terras tão impossivelmente
iguais a mim, é reconhecer a distancia de si mesmo.
Não aceito perder a rudeza de ser gente,
a parte de todas as janelas quais espreito
sobre todas as camas em que me deito
eu o poeta, o Nilson, a fera humana, nordestino
na saliva e nas retinas, me desencontro do mundo.
Absorvo a poeira dos casarões, o suor dos ônibus,
sargaços das praias, o piche do asfalto, o verde do ingazeiro,
o amarelado das fotografias, embrenhado no Quando para me comunicar
sendo a linguagem explícita em contato com gente: Gente!
Nilson Marques Jr.
Cheio de verdades negadas e angústias.
Posso conhecer tudo sem saber o cheiro
das coisas, se é que existe gente além das coisas.
Eu deveria ter medo. Contabilizo o pouco
do que me sobra de lembranças esmigalhadas; poderia
ao menos me dispor a estar, como se
houvesse fé nisto, mas não há.
Estou estranho como mandacaru em centro urbano.
E livre feito pássaro levado em gaiola.
Entender que o mundo chegou ao cúmulo das
não conquistas, mãos sem mãos conhecidas, risos caricaturáveis
Saber que estou sem estar presente
ou cidadão pária de terras tão impossivelmente
iguais a mim, é reconhecer a distancia de si mesmo.
Não aceito perder a rudeza de ser gente,
a parte de todas as janelas quais espreito
sobre todas as camas em que me deito
eu o poeta, o Nilson, a fera humana, nordestino
na saliva e nas retinas, me desencontro do mundo.
Absorvo a poeira dos casarões, o suor dos ônibus,
sargaços das praias, o piche do asfalto, o verde do ingazeiro,
o amarelado das fotografias, embrenhado no Quando para me comunicar
sendo a linguagem explícita em contato com gente: Gente!
Nilson Marques Jr.
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Carta ao Amor distante
Neste últimos tempos
tenho te amado em silêncio
tenho calado os sentidos
tenho pouco dormido.
Nestes meses anteriores
muitos foram os dissabores
e outros tantos me tenho esquecido.
Nestas outras horas que se
encerram arde a carne
destas palavras simples
por te amar, eu feita de
silvos noturnos, desejos absurdos,
te sinto atravessado, prendo essa marca
ao meu corpo inundado já
de tanta espera ganha, ferida de gozo,
desarmada, prenhe em delírio.
Nilson Marques Jr.
tenho te amado em silêncio
tenho calado os sentidos
tenho pouco dormido.
Nestes meses anteriores
muitos foram os dissabores
e outros tantos me tenho esquecido.
Nestas outras horas que se
encerram arde a carne
destas palavras simples
por te amar, eu feita de
silvos noturnos, desejos absurdos,
te sinto atravessado, prendo essa marca
ao meu corpo inundado já
de tanta espera ganha, ferida de gozo,
desarmada, prenhe em delírio.
Nilson Marques Jr.
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