quinta-feira, 26 de maio de 2011

Catedral

Minhas horas todas palpitam
como artéria de um cardíaco;
Assim tenho a vida e sigo por uma calçada
segura alheando a marcha lenta das lembranças
ao silêncio Catedral de meu corpo.

Ô ciência de qualquer tristeza humana
                                                                 - A tomo como oferta.

Minha cabeça, entrevia de coisas estúpidas e vivas,
queima em febre aguda.
E into comprimido sobre meu peito a calma dos enforcados,
dos fuzilados por seus crimes.

Mesmo cego ou surdo saberia mostrar-vos, precisamente,
o que seja matéria e o que seja espaço, vácuo, também,
pois tudo pesa sobre a minha alma que não pesa sobre nada.

Não importa quanto chore criança ou velho,
vejo a vida sofrendo, paralítica,
como um aborto inesperado pra família.

Esta é a vida e entre os dedos o seu barro tenho
Agachei-me sorrindo, com um pauzinho tirei a lama e
por um momento fui apoteose de todos os poetas.

Nilson Marques Jr.

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