Minhas horas todas palpitam
como artéria de um cardíaco;
Assim tenho a vida e sigo por uma calçada
segura alheando a marcha lenta das lembranças
ao silêncio Catedral de meu corpo.
Ô ciência de qualquer tristeza humana
- A tomo como oferta.
Minha cabeça, entrevia de coisas estúpidas e vivas,
queima em febre aguda.
E into comprimido sobre meu peito a calma dos enforcados,
dos fuzilados por seus crimes.
Mesmo cego ou surdo saberia mostrar-vos, precisamente,
o que seja matéria e o que seja espaço, vácuo, também,
pois tudo pesa sobre a minha alma que não pesa sobre nada.
Não importa quanto chore criança ou velho,
vejo a vida sofrendo, paralítica,
como um aborto inesperado pra família.
Esta é a vida e entre os dedos o seu barro tenho
Agachei-me sorrindo, com um pauzinho tirei a lama e
por um momento fui apoteose de todos os poetas.
Nilson Marques Jr.
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