quinta-feira, 26 de maio de 2011

Para ser Homem!

Por ser dificílimo o ofício do poeta
esse primeiro verso, acanhado, em que me escondo
é sim na verdade o suor de todos os poetas que cantam o Amor.
Não esse amor inchado que você conhece (corpo que boia em águas)
esse contexto de se entender no nada.

De fingir qualquer coisa, não por ser dissimulado
mas por não se conhecer mesmo
e outro que não se sabe o que pensar atribui para si
tal palavra que grita hemorragicamente
insatisfeita no meu vocabulário.

A chuva cai em tropeções, não há abrigo para os homens
O pedido do pedinte é a música da minha vida
O bêbado incoveniente tem falado verdades que ocultei por toda a vida
Raramente esqueço uma agressão, essa é minha liberdade
aviltada do entender, que me aflige nos dias felizes.

Nunca perdi ruido algum. Uma imagem não é real
sem sons, o mar sim o mar agigantado mar! Se não transbordasse em notas
a ninguém amedrontaria. Mas o mar, mesmo repartido, (casario de heróis falidos e demônios iúteis) agigantasse ao se rebentar em brumas.

Realmente não há suspiros para o poeta. Ele passa sóbrio, é a figura mais esdrúxula
- Se os versos o abandonassem em definitivo
jamais seria lembrado adiante. O poeta passa, não há fatalidade nisso. 
É o que é. Riam todos do poeta se riam todos pois ele caminha.
O vendedor o vê e ri. A doutora o vê e se ri, o mendigo o abraça numa fraternidade cética. Todas as mulheres esbarram e se riem do poeta.

Os versos cabem todos, o Homem só caminha, não pode reclinar a cabeça!
Cabem todas as amantes e bebidas, toas as noites de uma vida 
cabem sim nos versos!

De onde se vê permaneçe a ordenança para os meninos:
Não chore! Não comemore! Não fale! Não se cale!
No silêncio do poeta a desordem perde o ritmo.


Nilson Marques Jr.



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