O poeta foi saudado nas jornais
Quando ainda se lia poesiaEm cartões de namorados
Seus versos certeiros apoiavam amores
Indissolúveis e os eram assim por mérito do poeta
Amor do poeta atado a feixe ocultos nas cicatrizes
Olhos gotejam delicadeza
a profundidade, em tinta silábica
No Reino das Palavras o poeta usa coroa
Passeia cavalgando cavalos mágicos, batem a ferradura
No asfalto desentoando uma sinfonia a toa.
Todos vão ao coreto ver o poeta
Lançar pedacinhos de sonetos pros pombos destrambelhados
Que quando voam saciados pintam o telhado dos homens sisudos.
No centésimo aniversário de minha vida
O poeta veio sem ser convidado e era o mais esperado
E eu fui o Criado Mudo delatando segredos da vizinha sem sapato
No pé esquerdo e as peripécias do senhor barrigudo e diabetico.
Noutro quarto o poeta lambe seios satisfeito.
Não sei dizer se antes ou depois disso
O poeta foi encontrado morto e seu registro dizia ter mais de mil
amores selecionados, um charuto e um trago de cachaça da boa.
O poeta foi carregado pelo pênis até a beirada do mar triste, sem albatrozes.
No percurso, de braços abertos, olhos ressecados
Sílabas desencontradas escorriam girando girando de seus cabelos.
Ninguém viu quando o poeta correu aos pés da Catedral
Está falando de amores novos, pleonasmos.
Abraçado ao último gole de rimas do dia, bateu a poeira sobre outros versos
E canta até agora acarinhando os velhos pombos, assistindo ao seu corpo ser esquartejado.
Nilson Marques Jr
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