I
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O navio atou-se ao cais das delícias
Todos que desciam eram brancos, até os negros
Eram brancos. Umas mocinhas tão brancas que assustam
cirandavam o Pelourinho atrás de pretos alforreados.
Eram irlandesas ou suiças não se sabe
Ao certo contentaram-se com o moreno
E foram curradas pela primeira vez.
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II
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O velho careca e cara de bonachão
Lambia os beiços segurando o sorvete de mangaba
Debruçado à Ladeira da Montanha
E seu pai teve mais sorte, marinheiro fedido, teve melhor sorte.
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Turba de palavras e gestos confundem
Os inocentes vendedores de cafezinho,
O china se apressa a vender seu pastel e nem é
preciso entender tudo o que se diz aqui.
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E a menina magrela de fome da morte
Agarrou o garanhão pelos braços fininhos
Quer receber em Euro por ter mamado o pau russo
(Ou seria húmgaro?)
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III
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- Fitinhas, Fitinhas do santo! Alguém grita
- Um real para prender no pé, um real pra prender no pé!
As pedras cantam um ritmo ocultista e o policial se agita
Brincando com os pombos.
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IV
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O evangélico, recém liberto da cadeia, vê tudo
Condena tudo, os homens brancos tiram fotos e acham lindo o inferno.
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V
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Uma preta suada, saia rosa e rodada
Divide ao meio meu verso inútil, inatingível pra mim que também sou branco
das galeras em desalinho, e as galegas
ficam desoladas de terem vindo a Bahia.
Nilson Marques Jr.
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