quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mais uma vez o perdi!

Esqueci o verso que viria agora.
Ele se esconde dentro das pessoas 
que convivo, me fermentam os sentidos.

Percebo que o poeta, em si, não passa de um ser
amparado pelo verso que se perde
pois tudo que não provamos tem um sabor melhor.

Poema miserável! 
O poema tem vida própria e zomba do poeta!
O adulo num vício, o devoro com medo.

Meus cadáveres, meus avós, minhas amantes imaginárias
São meus versos, meus ladrilhos, meus varais onde estendo
roupas velhas e coloridas. E os passarinhos enfeitam com seus pousos.

E esse arar a alma, rasgando a carne dos desejos
soa como o sino falido da capela
Anuncinado o apelo deformado da carne em letras!



Nilson Marques Jr.

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