quinta-feira, 26 de maio de 2011

Contemplação/Consumação

Em minhas mãos
guardo todos
os desejos inacabados
dos homens.

Censuraram os movimentos
de que preciso
e sinto

                                     por trás das paredes
um ventinho calmo e seco
sair de outras narinas...

Sei da situação em que me encontro
- Longo tempo morno, de sargaços
e fósseis imersos.

O sol não chega ao hemisfério dos efêmeros
e (alucinado)
visto minha melhor farsa

Me misturo aos outros
numa comunhão de desgosto
e angústia.

Procuro-te poesia vitalícia
em ventres inférteis,
no coletivo sopro das horas.

Procuro-te (amarga) poesia
como o afogado procura o ar
e sou dentre as coisas mais estúpidas a mais reluzente.

Eis que tomo a forma de um porão
já não caminho nas ruas
(agora lúcido)

entretanto preciso de tudo
abro as mãos e o que tenho me escapa
inicio uma revolta:

A poesia longe dos poetas
mantêm-se intacta!

Nilson Marques Jr.

Um comentário:

  1. Poeta lindo, a quanto tempo eu esperava ver-te aqui, entre todas tuas poesias,dando a satisfação para muitos, que assim como eu,amam te ler.
    Meu querido, o poeta não pode se esconder, o que lhe brota do peito e enfeita as palavras, encanta os que lêem deve ser conhecido por todos pois alguém dará um largo sorriso de satisfação, outro reconhecerá sentimentos e assim a tua poesia passa a ser de todos.
    Vou ler uma a uma ao longo dos dias e deixar minha gratidão.

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