quinta-feira, 26 de maio de 2011

Crônica

Uma pequena perfuração no crânio
Fez com que o corpo tombasse, hostil.
No alto canavial, onde o verde belo refugia
O que não é mais dor nem possivel alegria

O corpo transpassado a chumbo, avisa
Aos vermes bestiais e vigorosos
Prenúncio a outra vida, desconhecida.

Não há nome, nem sangue, nem sexo
É só um corpo é só um chumbo e todo o silêncio
Quando existia sexo, sangue e nome, eixo
Para tudo nessa terra, já era parca criatura

No anúncio abissal do odor fúnebre
Rebrilha mais que o sol concreto
Asas providenciais dos urubus diletos.



Nilson Marques Jr.

Um comentário:

  1. Muito bom! Me senti aquele mais pesado e inerte pelo chumbo que recebe.

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