quinta-feira, 26 de maio de 2011

Solidão

Ventos dançam, rodopiam cadeiras, poeira.
Ventos que saem dos corpos, hálito estranho
De tanto que soprou e sopra, - Ventania.

É quase assim o amor, e não me atrevo
A falar Dele, dando seu nome por conhecer os riscos
E quantos morreram tentando, - Solidão é minha obra de arte!

O amor está no jeito em que meu filho pegou a bola que
Parada não era nada, só uma bola, pegando ele com suas mãos
Firmes e pequenas, daqui a trinta anos terá a mesma mão

Pequena para meus olhos, sua geometria transborda
Tecendo outra forma, toda dele toda minha, totalista
Ao ponto de nunca sair de suas mãos para minha memória.

No corpo dos homens e na pressa dos homens
O amor é uma hipérbole mal entendida.
Uma réstia de luz sobre os pratos postos sobre a mesa

Prestes a ser mastigada, possuindo o ventre
Invocando vozes engasgadas, o Deus esquecido.
O amor é quase assim.

O amor está no espaço entre a penetração e a exaustão.
O amor existe sem que o conheçam, sem se saber
De onde vem nem seu prumo, - O amor existe sem que o agitem!

Amor não é uma palavra o amor são lembranças
O amor deve ser temido, não evitado, o amor
É um verme esfomeado, oculto no corpo, e quando a carne sede ele a devora!



Nilson Marques Jr.

3 comentários:

  1. O amor está em tudo que vc falou meu poeta,desde a mão do filho que não quer crescer à carne que ele devora.
    Lindo, maravilhoso poema de um grande amigo Nil.

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  2. Belíssimo poema, Nilson, mostrastes o amor brotando das raízes mais profundas que um homem pode ter. Mostrastes como faíscas que explodem em cada poro. Mostrastes como a calmaria de olhos doces e lâmguidos...e no entanto como pode ser solitário sentí-lo.
    Parabéns guri!

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  3. A poesia não requer muita coisa. Ela se basta em si, nós, os poetas, é que não temos como domá-la.
    Então trago a folha os versos que estão me espreitando. Eu apenas observo a brincadeira em fim!

    Obrigado Doka e Marcia, o carinho de vocês é fonte de descobertas.

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