quinta-feira, 26 de maio de 2011

Carambolas

Admito que os ruidos por mim ouvidos
foram meus passos se comunicando
com o caminho.

Socorrendo, acolhendo, trazendo
as marcas da história sobre as costas
cuidando de não sofrer mais do que se suporta

a minha alma vai descompassada, alforriada
deste mundo que me disponho a descrer.
Afoito, afiado, farejando a própria carne

apresento meu canto sobre galhos da árvore da vida
- Uma frase repetitiva...
Como se a busca homem adentro não cessasse,
sem negar a quem se ama

Se ferindo, refletindo e depois se revestindo do verdor da lágrima
corrida e eu ainda consigo ver as folhas secas
espalhadas ouvindo os estalos delas esmagadas

envolvidas no cheiro tranquilo
das carambolas pencadas
quase que escorrendo da boca que irei sugar
me retrocedendo a mesma condição de menino
a espreitar banhos.

Eu me dedico a ver por sobre os galhos
que se dobram aos meus delírios, tão propícios
a tudo que não posso, querendo, e quanto mais tenho
mais me vejo possuído, devidamente inebriado, sem meio
ou adiante, atrelado ao passado, como tudo que é perfeito.

Nilson Marques Jr.

2 comentários:

  1. Carambola. Fruta que nos instiga a imaginação, não é mesmo?
    Ela tem um azedo doce. Uma forma de estrela Galega. Seu amora não é de presença forte, mas faz salivar. As vezes, no alto do meu excêntrico paladar, gosto de combinar carambola com caqui de chocolate...rsrsrsrs

    Bjos, moço artista.

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  2. As carambolas fazem parte de minha infância.
    Havia um pé enorme no quintal da casa dos meus pais e ficávamos pendurados lá e indo para cima da casa no final da tarde pra ver o povo passar e a vizinha tomar banho.

    Tem gente que parece carambola, no sabor na carne e na lembrança.

    Fico feliz que o meu verso tenha se comunicado contigo, Cátia.

    Bjão.

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