terça-feira, 16 de outubro de 2018
07:30 em Farrapos.
Cartazes amontoados sobre paredes mortas.
Anúncios de confraternizações que nunca participarei.
Na avenida macia a borracha passeia calmamente enquanto meus olhos
Registram instantes que logo esquecerei e serão avivados em outro lugar,
Montando um relato que só existiu por dentro de mim.
As criaturas da noite cambaleiam sisudas entre resmungos e lixo que o vento leva.
O hálito da hora se confunde com o bafo da tragada e os travestis negociam com
Os taxistas, talvez, uma última viagem?
Praças se estendem por onde o nome alcança. Flores da estação giram sem rumo
Como se uma gota divina despencasse sobre o monóxido de carbono e são cerejas,
amoras, abacates abrigando o cobertor grosso que abriga o homem abraçado a seu cão
que respira suave com olhar alerta.
Construções antigas saúdam as construções novas como quem oferta memória.
Surgem loucos nas esquinas armados de copo plástico e café.
Recitam indecências, balbuciam a sintaxe que se atropelam na ânsia por
Vomitar algo que jamais saberei e aí está o meu alumbramento.
Ruas escoam fadiga, risadas de moças eufóricas e pernas desalentadas.
Sento em um banco de concreto para assistir a disputa dos sabiás, pergunto as horas
Ao andrógeno que encerra seu turno: 07:30
Agradeço. Refaço o destino para as próximas horas como se tivesse qualquer controle.
Escuto atentamente as histórias da pessoa, compartilhamos risadas. Pergunto novamente as horas:
- Meu Bruxo, no meu relógio é sempre 07:30.
Nilson Marques Jr.
sábado, 28 de julho de 2018
Testamento.
Meus versos são acúmulos de silêncio.
O que observo é que é grande
E em cada espaço entre uma grandeza e outra
eu me aqueço, pasmo de tudo.
Meus versos não são extensões de mim.
Neles me camuflo e posso sentir certo conforto humano,
intervalo da pólvora e nascimento.
Meus versos, ora gente, ora sonho
São como tijolo quebrado do muro das lamentações.
Barro que se desmancha lentamente ao suor de quem os lê.
Meus versos, para serem belos, não me reconhecem.
Caminho disperso entre homens que são mais sonhos
Do que gente porque gente atulha o tempo, mas os sonhos resplandecem.
Não tenho posses, grifes não se apegam ao que me cobre o corpo.
Meu corpo é mínimo, não há formosura aos poetas
Porque eles, timidamente, preferem as palavras
E as palavras fornecem ciranda, armadura, colírio
Possibilidade de conhecimento do ponto cego
das curvas a que se desdobram os homens.
Meus versos são fios de açúcar na máquina de algodão doce.
Que as vezes coloridos lambuzam os dedos
Outras vezes claros não se explicam.
Atentamente me perco entre meus versos
E os versos do poeta libanês que me cumprimenta
no sebo empoeirado do centro da cidade.
Ponho em meus versos todos os homens possíveis.
Da minha incapacidade de comunicação fiz dos versos
Um testamento sincero, pois não estou neles.
Mas se neles estão os homens posso então me reconhecer,
Espelho d'água, areia sob fogo, retrato na estante de um parentesco
Partido dentre tantos a que meus versos sejam bem-vindos.
Nilson Marques Jr.
O que observo é que é grande
E em cada espaço entre uma grandeza e outra
eu me aqueço, pasmo de tudo.
Meus versos não são extensões de mim.
Neles me camuflo e posso sentir certo conforto humano,
intervalo da pólvora e nascimento.
Meus versos, ora gente, ora sonho
São como tijolo quebrado do muro das lamentações.
Barro que se desmancha lentamente ao suor de quem os lê.
Meus versos, para serem belos, não me reconhecem.
Caminho disperso entre homens que são mais sonhos
Do que gente porque gente atulha o tempo, mas os sonhos resplandecem.
Não tenho posses, grifes não se apegam ao que me cobre o corpo.
Meu corpo é mínimo, não há formosura aos poetas
Porque eles, timidamente, preferem as palavras
E as palavras fornecem ciranda, armadura, colírio
Possibilidade de conhecimento do ponto cego
das curvas a que se desdobram os homens.
Meus versos são fios de açúcar na máquina de algodão doce.
Que as vezes coloridos lambuzam os dedos
Outras vezes claros não se explicam.
Atentamente me perco entre meus versos
E os versos do poeta libanês que me cumprimenta
no sebo empoeirado do centro da cidade.
Ponho em meus versos todos os homens possíveis.
Da minha incapacidade de comunicação fiz dos versos
Um testamento sincero, pois não estou neles.
Mas se neles estão os homens posso então me reconhecer,
Espelho d'água, areia sob fogo, retrato na estante de um parentesco
Partido dentre tantos a que meus versos sejam bem-vindos.
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 2 de julho de 2018
Curvatura.
Curvatura.
Um punhado de chão, a gravata e o clique de teclas.
Tudo bem encaixado no homem que entardece diante dos números,
algorítimos de cubo pardo e lábios cerrados.
Tudo bem encaixado no homem que entardece diante dos números,
algorítimos de cubo pardo e lábios cerrados.
O trote das calçadas se mistura ao tédio.
A cadeira sede ao peso enquanto o ar frio
alimenta os papéis arquivados.
A cadeira sede ao peso enquanto o ar frio
alimenta os papéis arquivados.
Pombos arrulham no telhado, como se dançassem anunciando comédia.
Despencam da visão clara da janela e a meta está fora de alcance.
O café torna a aquecer o plástico enquanto a luz
É bloqueada pelas costas do amigo.
Despencam da visão clara da janela e a meta está fora de alcance.
O café torna a aquecer o plástico enquanto a luz
É bloqueada pelas costas do amigo.
Leve estalo no pescoço e grave estalo do ponteiro.
E-mails, cordialidades, downsizing nos gestos, imóveis,
sabores, espaços, ritmos.
E-mails, cordialidades, downsizing nos gestos, imóveis,
sabores, espaços, ritmos.
Cadarço desatado no pé direito. Nenhuma vontade de atá-los.
Não há tropeços onde tudo foi previsto.
Reconhecer as falhas também é sinônimo de domínio.
Não há tropeços onde tudo foi previsto.
Reconhecer as falhas também é sinônimo de domínio.
Alguém se ri do outro lado. Contido some aos estalos de dedos.
Um gavião esbarra no vidro e não entra. Apanha sua presa
Isso é muito engraçado.
Um gavião esbarra no vidro e não entra. Apanha sua presa
Isso é muito engraçado.
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 23 de março de 2018
Ela
Lasca de lume e queimor
a desfalecer trôpegos embaraços
para se desmantelar em novos delírios.
Silhueta das brenhas boêmias,
panfletária do gozo acabrunhado,
timidez de palpável consciência física.
Convicta em sua meninice,
altiva beleza de fêmea,
olhos de estradar, caixa de Pandora.
Desses lábios profanos
saliva o desejo de eras.
Boca de terra, boca criação.
Ninfa compositora de Pã,
possuidora da estigma de Eco,
vinho das festas privadas de Baco.
Se espalha, pé-de-vento, arruaça.
Os pequenos gestos do teu corpo
levantam as naus de Ulisses, rota de paraíso.
Nilson Marques Jr.
sábado, 3 de fevereiro de 2018
Abandono etílico
O último gole já não arde.
Lava a consciente debilidade humana.
Seria doença se não fosse o sono
ou o abandono que aos urbanos agride.
Um poço humano esquecido
por inúmeras utopias vencido.
Do concreto fez sua cama.
Corpo inchado, foi-se a pele fez-se escamas.
Palavras atropeladas no etílico ofício.
Tem seu sindicato como abrigo.
Come poeira pela manhã, o almoço
é o lanche rejeitado, mas tem na cachaça
seu feijão diário.
Nilson Marques Jr.
Lava a consciente debilidade humana.
Seria doença se não fosse o sono
ou o abandono que aos urbanos agride.
Um poço humano esquecido
por inúmeras utopias vencido.
Do concreto fez sua cama.
Corpo inchado, foi-se a pele fez-se escamas.
Palavras atropeladas no etílico ofício.
Tem seu sindicato como abrigo.
Come poeira pela manhã, o almoço
é o lanche rejeitado, mas tem na cachaça
seu feijão diário.
Nilson Marques Jr.
Destino
A noite corria no asfalto
longe das estrelas, diluindo o cheiro da maresia.
Silêncio violado pelos pontos de luz dos puteiros empoeirados.
A pressa anseia por descanso.
O café quase frio lava a garganta cansada.
Aos cheiros que perderei eu escrevo.
Cruzes cumprimentam timidamente nossa passagem.
Seguimos acumulando nomes de cidades e
fantasias para moer as horas.
A rota vai se concluir numa amálgama
de sensações revisitadas.
Consumir sonhos desgastados por sonhos inusitados.
O clamor do dia volta em outro hemisfério da alma.
E deu uma vontade arretada de rir.
Nilson Marques Jr.
longe das estrelas, diluindo o cheiro da maresia.
Silêncio violado pelos pontos de luz dos puteiros empoeirados.
A pressa anseia por descanso.
O café quase frio lava a garganta cansada.
Aos cheiros que perderei eu escrevo.
Cruzes cumprimentam timidamente nossa passagem.
Seguimos acumulando nomes de cidades e
fantasias para moer as horas.
A rota vai se concluir numa amálgama
de sensações revisitadas.
Consumir sonhos desgastados por sonhos inusitados.
O clamor do dia volta em outro hemisfério da alma.
E deu uma vontade arretada de rir.
Nilson Marques Jr.
Das dores a necessidade.
Levou sobre si suas histórias.
sem provas dos acontecidos
dançava entre tropeços e solidão.
Vestia cada nome repetido,
vidas repartidas em
estrutura fantasiosamente palpável
causando desequilíbrio nas calçadas
onde repousa a última lágrima,
até os olhos perderem os motivos.
Se alimentando do prato ofertado, retribui
o agrado com versos sutis, mastigando as palavras,
engolindo com a carne todo destino comum.
Seus mal-assombros de estimação,
seus meninos pagãos, seus cônegos
amados por moças audazes, que por amar
eram malditas.
Foge por entre os dentes o lastro sortido
de acontecimentos distantes.
Pela pele se sabe que jamais desatou
da terra encarnada, mas são suas
as florestas e as rezas.
Nada que se contava se afastava do seu cheiro.
Dele todas as dores e desilusão.
Ações heroicas que levava a ausência de tudo,
cemitérios ora no céu noutras em Geena,
como quem desiste da realidade coletiva
se atém a outra mais profunda.
Lapidada por um tempo partido
onde os Santos desciam e o benziam.
mantinha íntima afeição com sábios
velhos a África que, segundo sua fábula,
as vezes se desentendiam com outros
velhos sábios com feição dos bichos de nossa fauna.
Virava ave agoureira quando ninguém o via.
Lambia as moças bêbadas nos cabarés,
riscava punhal contra o peito na luta fria
da ausência quando a realidade estranha lhe vencia
e punha suas vivências a se desfazer,
mas por orgulho sonha e se redime.
Quando as casas silenciam ele caminha,
parecido com palavras sobre linhas.
Caminha como quem se embriaga,
encantado,
as vezes salta em jornal sensacionalista.
Já o vi gangrenar o tempo, já o vi em verso sem autoria.
Nilson Marques Jr.
sem provas dos acontecidos
dançava entre tropeços e solidão.
Vestia cada nome repetido,
vidas repartidas em
estrutura fantasiosamente palpável
causando desequilíbrio nas calçadas
onde repousa a última lágrima,
até os olhos perderem os motivos.
Se alimentando do prato ofertado, retribui
o agrado com versos sutis, mastigando as palavras,
engolindo com a carne todo destino comum.
Seus mal-assombros de estimação,
seus meninos pagãos, seus cônegos
amados por moças audazes, que por amar
eram malditas.
Foge por entre os dentes o lastro sortido
de acontecimentos distantes.
Pela pele se sabe que jamais desatou
da terra encarnada, mas são suas
as florestas e as rezas.
Nada que se contava se afastava do seu cheiro.
Dele todas as dores e desilusão.
Ações heroicas que levava a ausência de tudo,
cemitérios ora no céu noutras em Geena,
como quem desiste da realidade coletiva
se atém a outra mais profunda.
Lapidada por um tempo partido
onde os Santos desciam e o benziam.
mantinha íntima afeição com sábios
velhos a África que, segundo sua fábula,
as vezes se desentendiam com outros
velhos sábios com feição dos bichos de nossa fauna.
Virava ave agoureira quando ninguém o via.
Lambia as moças bêbadas nos cabarés,
riscava punhal contra o peito na luta fria
da ausência quando a realidade estranha lhe vencia
e punha suas vivências a se desfazer,
mas por orgulho sonha e se redime.
Quando as casas silenciam ele caminha,
parecido com palavras sobre linhas.
Caminha como quem se embriaga,
encantado,
as vezes salta em jornal sensacionalista.
Já o vi gangrenar o tempo, já o vi em verso sem autoria.
Nilson Marques Jr.
Capuccino
O Sabor do não acontecido
está reservado nesta xícara.
Diante de mim não é o calor
que me arde os dedos ou o creme
a envolver meus lábios.
Está na língua das idéias
as histórias aguardadas, e
Porque Ser justo a minha dentre
tantas a se desenvolver fora do que
[é crença?
No outro espaço, logo a frente
um casal come e bebe. Minha imaginação
lhes dá possibilidades muito mais belas
(pois sou eu quem as imagino.)
Nada tenho senão
a vontade de um verso
sangrando vidas em postas, e que
levem um pouco de mim
em seus cabelos, por baixo
das unhas, no sentido da língua.
Estou só
A vida inteira indivisivelmente
retida em goles mornos que, avulso,
absorvo automático.
Me pesa a ausência da poesia pelas ruas.
E lamento pela música que se extraviou.
A beleza está ausente.
A coragem está ausente.
Formas delicadas e Femininas se embrutecendo.
Meu Deus, A Minha fé também está ausente!
- Outra xícara, por favor!
Aumento o tom da voz
Para Ser lembrado E aogra
um cachorro se aproxima.
Volta minha alegria nos olhos
do animal, me sinto feliz.
Se deita aos meus pés
e meu coração não o compreende.
Meu coração é um senhor do século XVIII
vendedor de tecidos. Meu coração é
meu conflito. Discutimos a didática
inútil da solidão.
Nilson Marques Jr.
Certa Idade.
A gente alcança certa idade
em que vê ou não vê o amor em tudo.
Compreendendo quando é desespero;
Bala avulsa sem partida ou chegada.
A língua ácida cansada de militância
repousa anestesiada sobre outra.
A gente cansa em certa idade
das mentiras para poder, na pobreza,
imaginar o que é toque, entrega, distância.
Abrupto fulgor esplêndido ou
o que poderia ser isto!
Ver-se a mulher amada dormir enquanto
uma guerra acorrenta a Líbia,
se arrebenta a corda grave do violão
desafinado e ninguém percebeu.
Não querer amar é como tecer fé
a um deus nas mãos de um semideus.
Amar vencido amor e basta!
Chegará certa data que o tempo
ficará suspenso na folhinha de calendário
e o corpo se manterá como um consequência
de Saveiros cansados e apodrecerá
em gestos esquecidos em lembranças e devaneios.
Chega determinada partilha da vida
onde a pele cansada é velada
para o túmulo das palavras desprezadas.
Palavras-beijos, palavras-orgarmos
do sabor da mulher eternal
a escorregar no canto do vigor fenecido.
Embriaguez revisitada
em silhuetas de memória
e as pernas a acolher
gemidos em estado dicionário,
fogem por necessidades abandonadas.
Chegamos a certo instante da vida
onde tudo é aceitável: Amar não Amar
Amar não Amar grita meu peito no vazio do agora.
Nilson Marques Jr.
em que vê ou não vê o amor em tudo.
Compreendendo quando é desespero;
Bala avulsa sem partida ou chegada.
A língua ácida cansada de militância
repousa anestesiada sobre outra.
A gente cansa em certa idade
das mentiras para poder, na pobreza,
imaginar o que é toque, entrega, distância.
Abrupto fulgor esplêndido ou
o que poderia ser isto!
Ver-se a mulher amada dormir enquanto
uma guerra acorrenta a Líbia,
se arrebenta a corda grave do violão
desafinado e ninguém percebeu.
Não querer amar é como tecer fé
a um deus nas mãos de um semideus.
Amar vencido amor e basta!
Chegará certa data que o tempo
ficará suspenso na folhinha de calendário
e o corpo se manterá como um consequência
de Saveiros cansados e apodrecerá
em gestos esquecidos em lembranças e devaneios.
Chega determinada partilha da vida
onde a pele cansada é velada
para o túmulo das palavras desprezadas.
Palavras-beijos, palavras-orgarmos
do sabor da mulher eternal
a escorregar no canto do vigor fenecido.
Embriaguez revisitada
em silhuetas de memória
e as pernas a acolher
gemidos em estado dicionário,
fogem por necessidades abandonadas.
Chegamos a certo instante da vida
onde tudo é aceitável: Amar não Amar
Amar não Amar grita meu peito no vazio do agora.
Nilson Marques Jr.
Das Confissões
Minhas memórias se misturam, confesso.
É a idade da saúde que se afasta.
De tanto viver, já não me sopra o desejo
pelo beijo noviço das carnes que já não possuo.
Pois bem. A gente se dilata na solidão
enjeitada e na debilidade etílica, eu
já não sei o que seria um e outro.
Poderia ter manifestado o amor
como coisa sólida que se lança
de uma janela à outra e sobe o clarão e apito.
Urgência! não tive.
O amor era distante e velho, hoje tem
câimbras enquanto repousa em minha sombra.
Tirei vida de corpo humano,
lutei em luta cabível de derrota e venci.
Vitória que separava lascas de minha alma
e foram distribuídas nos becos do meu coração.
Não por justiça, sim vingança.
Homem sem vingança digna deve se ater
ao silêncio dos músculos. Formidável textura de delírios,
vinho de minhas sensações,
loucura líquida de minha língua!
Nunca fui grande coisa.
Não conheço nenhum homem que o tenha sido,
exceto aqueles distantes, aqueles que se inventam,
sem parto nem pai, apenas virtudes.
Fui amado, e tem tempo.
Em toda confissão cabe o amor, mais que
sua ausência. Porque ausência do amor é
altruísmo que não tive. O tempo levou aos punhados
os propósitos das cores.
Ficou o amarelo dos dentes, que resistem.
Já não me incomodo de muita coisa
e tudo me provoca um grande tédio.
Até as gentes que se entrelaçam
são peças de coisas que contamos ao fim.
Em cada canto que estive pude me dar a
mim mesmo um novo nome e personalidade.
Puxei rede, montei à cavalo, dei esmolas,
comi a sopa da noite, visitei cabarés,
beijei a mão do clérigo
e
tudo isso se soma ao nada.
Talvez alguém se lembre e sinta fúria de mim.
Seria bom saber, mas o que sei senão
minhas memórias vagas e recriadas pra dentro de mim?
Eu, homem confuso, homem turvo que não se reconhece
ante a textura reflexiva e sente as veias se encontrar com
as tremidas dos nervos entre ossos.
A moça me trouxe o mingau.
Nunca sorri. O prato esmaltado queima meus dedos.
- Um dia ainda como essa mulher!
Nilson Marques Jr.
É a idade da saúde que se afasta.
De tanto viver, já não me sopra o desejo
pelo beijo noviço das carnes que já não possuo.
Pois bem. A gente se dilata na solidão
enjeitada e na debilidade etílica, eu
já não sei o que seria um e outro.
Poderia ter manifestado o amor
como coisa sólida que se lança
de uma janela à outra e sobe o clarão e apito.
Urgência! não tive.
O amor era distante e velho, hoje tem
câimbras enquanto repousa em minha sombra.
Tirei vida de corpo humano,
lutei em luta cabível de derrota e venci.
Vitória que separava lascas de minha alma
e foram distribuídas nos becos do meu coração.
Não por justiça, sim vingança.
Homem sem vingança digna deve se ater
ao silêncio dos músculos. Formidável textura de delírios,
vinho de minhas sensações,
loucura líquida de minha língua!
Nunca fui grande coisa.
Não conheço nenhum homem que o tenha sido,
exceto aqueles distantes, aqueles que se inventam,
sem parto nem pai, apenas virtudes.
Fui amado, e tem tempo.
Em toda confissão cabe o amor, mais que
sua ausência. Porque ausência do amor é
altruísmo que não tive. O tempo levou aos punhados
os propósitos das cores.
Ficou o amarelo dos dentes, que resistem.
Já não me incomodo de muita coisa
e tudo me provoca um grande tédio.
Até as gentes que se entrelaçam
são peças de coisas que contamos ao fim.
Em cada canto que estive pude me dar a
mim mesmo um novo nome e personalidade.
Puxei rede, montei à cavalo, dei esmolas,
comi a sopa da noite, visitei cabarés,
beijei a mão do clérigo
e
tudo isso se soma ao nada.
Talvez alguém se lembre e sinta fúria de mim.
Seria bom saber, mas o que sei senão
minhas memórias vagas e recriadas pra dentro de mim?
Eu, homem confuso, homem turvo que não se reconhece
ante a textura reflexiva e sente as veias se encontrar com
as tremidas dos nervos entre ossos.
A moça me trouxe o mingau.
Nunca sorri. O prato esmaltado queima meus dedos.
- Um dia ainda como essa mulher!
Nilson Marques Jr.
segunda-feira, 2 de novembro de 2015
Das Sombras
Das sombras do teu Corpo
eu faço insônia.
E te busco em sonhos que
se espalham em pedaços
soluçar sua força de meu delírio.
Na ausência do teu cheiro,
Que se apossava em gotas
Sobre minha carne, ficou este
acúmulo de solidões:
um lampejo de ilusão.
Pois Que minha alma solta
vaga a procura da tua.
no ofício de trazer teu gosto,
tua fome saciar Minha.
Nilson Marques Jr.
eu faço insônia.
E te busco em sonhos que
se espalham em pedaços
soluçar sua força de meu delírio.
Na ausência do teu cheiro,
Que se apossava em gotas
Sobre minha carne, ficou este
acúmulo de solidões:
um lampejo de ilusão.
Pois Que minha alma solta
vaga a procura da tua.
no ofício de trazer teu gosto,
tua fome saciar Minha.
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
Da invasão
Entro pelas horas que a noite comporta
Como quem procura uma fotografia,
Um cacho de cabelos da infância ou
A voz que embalava o antes do sono
Como quem procura uma fotografia,
Um cacho de cabelos da infância ou
A voz que embalava o antes do sono
Porque o sono é ausência e se me
Deito sobre a superfície confortável
Do dia vencido o faço como um
Exercício de abandono.
Deito sobre a superfície confortável
Do dia vencido o faço como um
Exercício de abandono.
Não uso os pés pesados tampouco
A blindagem do automóvel. Invado
O negror com a alma ou com o
Que penso ser alma. Ou com a
Desapropriação do corpo.
A blindagem do automóvel. Invado
O negror com a alma ou com o
Que penso ser alma. Ou com a
Desapropriação do corpo.
E é essa forma feia a apalpar
O frio do vazio. São tantas vozes,
Diferentes em idioma. Como que
Vomitadas por uma única boca.
Não é minha. Finjo conhecer, mas
Quem sou eu pra entender de gente?
O frio do vazio. São tantas vozes,
Diferentes em idioma. Como que
Vomitadas por uma única boca.
Não é minha. Finjo conhecer, mas
Quem sou eu pra entender de gente?
Esses seres vivos e inúteis em sua
Maioria. Os quais não sabem das dores de
Cabeça que me tiram o sono e me empurram
A escrever os versos frágeis do papel
Prestes a ir ao fogo. Eles sabem de tudo
Porque não me conhecem. Eu e a noite
Somos absurdamente insignificantes.
Maioria. Os quais não sabem das dores de
Cabeça que me tiram o sono e me empurram
A escrever os versos frágeis do papel
Prestes a ir ao fogo. Eles sabem de tudo
Porque não me conhecem. Eu e a noite
Somos absurdamente insignificantes.
Tenho esse medo a cada esquina passada.
Não temo meu medo. O meu fica por dentro
E é intocável. Meu. Se for meu é ridículo
E ficará isolado. Essa falta de rima no meu sotaque erra a canção imaginada.
Não temo meu medo. O meu fica por dentro
E é intocável. Meu. Se for meu é ridículo
E ficará isolado. Essa falta de rima no meu sotaque erra a canção imaginada.
O dia se apresenta determinante.
Vai acabando com tudo o maldito!
Sinto as coceiras dos mendigos
E me sento na praça para admirar
Sua paciência de monge.
Vai acabando com tudo o maldito!
Sinto as coceiras dos mendigos
E me sento na praça para admirar
Sua paciência de monge.
Como se a paz estivesse na sujeira
E no fedor da pele dos meus amigos.
Entre eles não há corrupção.
E são inocentes sendo eu o culpado
Das desgraças porque sou humano
E os mendigos e os índios e os povos
Isolados de lugares que admiro por não
Conhecer. Nem vítimas nem culpados.
E no fedor da pele dos meus amigos.
Entre eles não há corrupção.
E são inocentes sendo eu o culpado
Das desgraças porque sou humano
E os mendigos e os índios e os povos
Isolados de lugares que admiro por não
Conhecer. Nem vítimas nem culpados.
Meto a mão esquerda no bolso do sujeito
Sujo que dorme. Retiro notícias belas,
Histórias inventadas que a gente se
Põe a acreditar. Porque o mundo
Cabe dentro da noite e o tempo
É indeterminado. Em cada parágrafo
Um pedaço de mim, de dentro, fica
Exposto. Cada nervo, e artéria ferida
Me sinto mais vivo. Percebo ao fim
De tarde, sob um por de sol imaginado,
Que tudo isso não ultrapassou de um
Lapso de imaginação.
Sujo que dorme. Retiro notícias belas,
Histórias inventadas que a gente se
Põe a acreditar. Porque o mundo
Cabe dentro da noite e o tempo
É indeterminado. Em cada parágrafo
Um pedaço de mim, de dentro, fica
Exposto. Cada nervo, e artéria ferida
Me sinto mais vivo. Percebo ao fim
De tarde, sob um por de sol imaginado,
Que tudo isso não ultrapassou de um
Lapso de imaginação.
E continuo a caminhar pensando
Na morte e na velhice e na maneira
Mais patética de apresentar meus versos.
E por serem meus são pobres e feios
Como o mendigo morador do batente
Da loja de eletrodomésticos.
Então o calor arde nos olhos até
O esquecimento me fazer sentir
Novamente vontade de sorrir.
Na morte e na velhice e na maneira
Mais patética de apresentar meus versos.
E por serem meus são pobres e feios
Como o mendigo morador do batente
Da loja de eletrodomésticos.
Então o calor arde nos olhos até
O esquecimento me fazer sentir
Novamente vontade de sorrir.
Nilson Marques Jr.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
Por Dentro
Dentro das casas
onde as frestas iluminam
muito mais do que a esperança
Dorme como quem vigia
o velho homem, ainda na infância
que se cobre com falsas notícias
e sobre as telhas das outras casas
umas folhas secas ficam esquecidas
de árvores estranhas: o nome do pai
o sangue da mãe, o suor do avô
a dor dos tataravós. E quem se preocupa
em limpar a calha entupida?
Se ao menos acordasse de verdade o velho
e o homem não fosse dado ao auto-abandono
talvez assim valesse a pena e as plumas
dos dias que se vem, sopram de onde não se sabe.
Mas virão, está na carne que virão. está
no cheiro da pólvora que virão.
Conta-se em sussurros os principais eventos da vida:
Um assassinato, uma poesia, um medo em recato,
o hálito das eras...
Das pedras erguidas, no concreto da alma
bocas se amontoam sem saber o que as calam.
É a sede filtrando a superfície das coisas.
A fé está nos calos das mãos e nas poucas
palavras dos lábios. A força se firma no arrepio
das despedidas, e o tempo do choro verdadeiro
só tem boa aparência no cinema.
Nas telas apodrecidas, nas roupas
que guardam o pouco de carne que a sustente.
Não são as aves, nem as crianças, nem os versos,
nem o mar, nem o haver, nem as cores, nem a arte
que precisa de amor. São aqueles estranhos seres
que se estranham ao toque pessoal,
que possuem um diálogo industrial
que não sabem mais o que é sangrar
e mesmo quando sangram desconhecem
o fenômeno. São esses seres comuns
que se distanciam sob a mirrada cor
das coisas puramente simples
a que a alma, se por ela ou fora dela
cuidadosamente se declara: entregue.
Nilson Marques Jr.
O Silêncio
Gosto do silêncio pois ele provoca
a genuína criação. Seja o silêncio das coisas,
das casas, do ventre.
A boca faminta devora sentenças
e sobre os ossos do caos a vida se reconstrói.
De si para onde não se sabe.
Como uma espiral de silêncio,
e a escuridão não é ausência
mas a estrutura real do que se espera.
Nilson Marques Jr
a genuína criação. Seja o silêncio das coisas,
das casas, do ventre.
A boca faminta devora sentenças
e sobre os ossos do caos a vida se reconstrói.
De si para onde não se sabe.
Como uma espiral de silêncio,
e a escuridão não é ausência
mas a estrutura real do que se espera.
Nilson Marques Jr
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
Queimaduras
É no tempo que os homens se diluem.
são todos um, em cada poça de provocações
se espalham e já não se reconhecem.
As datas comemorativas acumulam morte,
inferiorizam o instante, sob a casaca velha
que herdamos por um parente que fechou os olhos
em algum campo de concentração ou teve o corpo
incinerado pela dor de qualquer coisa sem sentido para quem
não sente. E deixou um sobrenome e a marcação estranha no caminhar.
Aqueles que conheço não me são tão importantes
quanto aqueles que não conheço, menos ainda daqueles
que desconheço. Eu olho a todos com os olhos feridos
por minhas impressões e já concluo a anulação do homem
sobre as coisas. Não há cor nos olhos, na pele nos cabelos.
Mas a comunicação pede o auxílio dela.
Se falo de mim ou por mim, só o faço por não poder ser outro!
Estou fechado ao que invento e para onde eu for encontrarei a mim sempre e como me pesa tal condição!
Por conhecer minhas angústias, debilidades, e quanto mais entendo
mais me sinto como um cão em voltas atrás do rabo.
Quisera ser doido, doido de rua por querer, por vontade pulsante
própria. bater em quem passa com a aval da loucura.
Cantar alguma música antiga cuspindo a poesia morta
sem que o ridículo da razão me açoite.
Ou não sentir o peso da depressão no auto isolamento.
Não acredito que um doido possa ter depressão, e imaginar isso
me faria um louco acima do que a razão propõe e não abaixo.
Escrever uma biografia sobre mim, sobre o vizinho e lhe dando o meu nome. E para que servem os nomes?
Para mim tudo é bicho, tudo é gente e tudo é ausência.
A imensidão das coisas, como é linda.
Tênue linha que nos separa, diálogo infinito que descamba
para o nada. Estamos separados em nosso tempo. Todos.
Estamos aturdidos com tanta podridão e com a carne que resiste!
Nunca se aguardou tanto pela destruição. O apocalipse.
A vida fora da vida. Nunca o ser humano se alimentou tanto da própria carne. Que resiste, insiste. É a distância entre os homens que nos deixa tão similares.
Nilson Marques Jr.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Há algo a mais do que muro entre nós II
Meu repouso não se pronuncia.
É meio triste quando a noite chega ao fim e não sei porque.
Pois que tudo que é escuro se espalha, só para que a clarevidência
de estrelas me tragam esperança. Do que ainda não sei.
Sou apenas um homem. Nenhum título, nenhuma poesia me salvaria
porque sou apenas um homem. A noite se prolonga muito mais do que o que eu esperava. É fria, mas não remete a morte. Só a distância.
Estamos todos isolados. Já não se sabe o que é vício e o que é necessidade. Palavra resistente em minha alma quando lembro
da mulher que amo. N E C E S S I D A D E.
Alguns cômodos estão fechados. Outros não tem portas.
Meu coração faz mais barulho do que o feirante do final de semana.
Para dentro da noite o sertão é todo carne.
Existem noites espalhadas em meus dentes. O vento
toma forma e um verso me foge por entre as linhas que imagino
sobre o chão em que escrevo minhas observações.
Dizer que a noite é fria o digo apenas por incômodo, pois na verdade
frio é o tempo num todo. A noite é generosa. Ensurdece em pavor sem espanto. Generosamente. Neste céu ausente pinto a cor que eu quiser!
É meu o céu e o negror. É meu o silêncio e o vento e eu rio da graça
dessas coisas-além serem minhas. Percebo que nunca houve dia:
Decorar textos, aprender cálculos, contar histórias que nunca me servirão
para nada nesta vida. Pessoas tantas que nunca serão nada nesta vida.
Eu mesmo para quem não sabe, serei nada nesta vida. Mas a vida é longa,
e a noite também. As horas cabem dentro da noite e a noite provoca o corpo. Tudo em mim é o que imagino. Não são realidades, senão a moça que me possui a vontade. A realidade que crio pra dentro de mim é toda minha e foge à noite. Nada que eu faça me fará ir além do que o previsto.
Eu mesmo conseguiria, caso saísse desse corpo ou se o corpo fosse alma, também. Como é triste a realidade. Como é triste essa coisa de se estar sem querer, como são tristes esses homens que não conhecem a noite, e me desejam bom-dia. Não rapaz, é boa-noite. Minha voz cansada estará na garganta possível que recite um verso sequer que eu sinta.
Palavra já não há, nem sono: O homem sumiu.
É meio triste quando a noite chega ao fim e não sei porque.
Pois que tudo que é escuro se espalha, só para que a clarevidência
de estrelas me tragam esperança. Do que ainda não sei.
Sou apenas um homem. Nenhum título, nenhuma poesia me salvaria
porque sou apenas um homem. A noite se prolonga muito mais do que o que eu esperava. É fria, mas não remete a morte. Só a distância.
Estamos todos isolados. Já não se sabe o que é vício e o que é necessidade. Palavra resistente em minha alma quando lembro
da mulher que amo. N E C E S S I D A D E.
Alguns cômodos estão fechados. Outros não tem portas.
Meu coração faz mais barulho do que o feirante do final de semana.
Para dentro da noite o sertão é todo carne.
Existem noites espalhadas em meus dentes. O vento
toma forma e um verso me foge por entre as linhas que imagino
sobre o chão em que escrevo minhas observações.
Dizer que a noite é fria o digo apenas por incômodo, pois na verdade
frio é o tempo num todo. A noite é generosa. Ensurdece em pavor sem espanto. Generosamente. Neste céu ausente pinto a cor que eu quiser!
É meu o céu e o negror. É meu o silêncio e o vento e eu rio da graça
dessas coisas-além serem minhas. Percebo que nunca houve dia:
Decorar textos, aprender cálculos, contar histórias que nunca me servirão
para nada nesta vida. Pessoas tantas que nunca serão nada nesta vida.
Eu mesmo para quem não sabe, serei nada nesta vida. Mas a vida é longa,
e a noite também. As horas cabem dentro da noite e a noite provoca o corpo. Tudo em mim é o que imagino. Não são realidades, senão a moça que me possui a vontade. A realidade que crio pra dentro de mim é toda minha e foge à noite. Nada que eu faça me fará ir além do que o previsto.
Eu mesmo conseguiria, caso saísse desse corpo ou se o corpo fosse alma, também. Como é triste a realidade. Como é triste essa coisa de se estar sem querer, como são tristes esses homens que não conhecem a noite, e me desejam bom-dia. Não rapaz, é boa-noite. Minha voz cansada estará na garganta possível que recite um verso sequer que eu sinta.
Palavra já não há, nem sono: O homem sumiu.
Há algo mais do que muro entre nós.
Se por acaso minha alma
calar e os sentidos para a vida me faltar e tudo de
mais importante for aquilo
que me veste a carne, e o
Sumo-Capital por bride em
meus dias, por favor, eu digo, me sepultem em algum
poema formoso.Escavaquem
as linhas que meu eu-lírico cantou. Sete palmos poesia
adentro. Sem rosas-soneto,
sem recitais, sem a zuada da boêmia ou a cama estranha da moça fogosa,
que em minha alucinação me amou. Sem cerimônia
porque poeta é arquiteto
de todo ostracismo. Se
por acaso não existir mulher
que me ame ou filhos
que me tomem a benção
ou mar ou sertão ou motivo
qual for para luzes e cores
que o cheiro e o peso
da terra me ressuscite
porém, por hora nesta vida
aflora ao que importa
é permanecer eterno.
Nilson Marques Jr.
Nada não
Se vocês tocassem
a pele da minha poesia
conheceriam as cicatrizes dos meus versos.
Nilson Marques Jr.
a pele da minha poesia
conheceriam as cicatrizes dos meus versos.
Nilson Marques Jr.
Dos movimentos
A poesia é uma estrada pesada por gente que não se conhece
Ela não se desgasta, mas é esquecida e muda de nome conforme
os homens se movem. É a terra pilada e o sangue que a rega.
Das pedras que a cobre pouco de acumula:
uma topada e a pressa, a chuva na noite vazia
e a poesia continua, os homens somem todos.
Ficam as pegadas sobre o asfalto quente, e o nome
de algum agente que não sabe do que passa em cada passo
a poesia se estende, além da letra e do ritmo; aliás
O entulho e a fedentina da pobre rima derretida pelo calor
da ausência da beleza, e quebrada pela tromba dágua
que castiga a estrutura faz com que ela em si mesma se reconstrua.
Nova camada de asfalto, outras pedras para o prumo
e a falta de sentido nisso tudo leva essa estrada que
começa em todo peito e se encerra na oração e no desapego
Nilson Marques Jr.
Ela não se desgasta, mas é esquecida e muda de nome conforme
os homens se movem. É a terra pilada e o sangue que a rega.
Das pedras que a cobre pouco de acumula:
uma topada e a pressa, a chuva na noite vazia
e a poesia continua, os homens somem todos.
Ficam as pegadas sobre o asfalto quente, e o nome
de algum agente que não sabe do que passa em cada passo
a poesia se estende, além da letra e do ritmo; aliás
O entulho e a fedentina da pobre rima derretida pelo calor
da ausência da beleza, e quebrada pela tromba dágua
que castiga a estrutura faz com que ela em si mesma se reconstrua.
Nova camada de asfalto, outras pedras para o prumo
e a falta de sentido nisso tudo leva essa estrada que
começa em todo peito e se encerra na oração e no desapego
Nilson Marques Jr.
Porque há beleza
Porque há beleza quando
se aprende a domar a melancolia.
E por esses revezes que a noite não
oprime o luzir perdido de estrelas devoradas.
E é no cintilar das lembranças
que a alma voa: e tudo que flutua pousa.
Encontra repouso na beleza, não obstante
triste para quem a vive, mas noutro caminho
Resiste. E insiste. E que o Amor não evapore
a gota de tristeza que é minha
E que minha melancolia jamais inunde,
com esta gota, o riso dos meus dias.
Nilson Marques Jr.
se aprende a domar a melancolia.
E por esses revezes que a noite não
oprime o luzir perdido de estrelas devoradas.
E é no cintilar das lembranças
que a alma voa: e tudo que flutua pousa.
Encontra repouso na beleza, não obstante
triste para quem a vive, mas noutro caminho
Resiste. E insiste. E que o Amor não evapore
a gota de tristeza que é minha
E que minha melancolia jamais inunde,
com esta gota, o riso dos meus dias.
Nilson Marques Jr.
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